Transformação digital: O termo da vez

Peers Consulting

22

MAY
Consulting10

Por Tiago Couto, Consultor Sênior*

As empresas continuam a buscar novas diretrizes e modelos para o desenvolvimento de seu plano estratégico e operacional, assim como, realizavam no passado. Nas décadas de 80 e 90, o termo da vez era Downsizing, que buscava atingir ganhos de eficiência, alegando a redução da burocracia da empresa e, consequentemente, enxugando a estrutura organizacional. Por vezes, e após anos, podemos ver que essas medidas até surtiram efeitos positivos em um curto espaço de tempo, porém foram excessivas.

Atualmente, o termo da vez é: Transformação Digital. Todos os olhares já estão voltados para o tema e diversas companhias estão se movimentando para adequarem a estratégia e operação da nova tendência.

Porém, para não incorrer no mesmo erro de adotar ações apenas para seguir a corrente do momento, é fundamental entender o que é a Transformação Digital.

Ela está relacionada somente ao desenvolvimento de novas aplicações? Utilizar o conceito de customer centricity é o suficiente para ser digital? Ter uma cultura “informal” contribui para o processo de transformação?

O professor e pesquisador do MIT/Sloan, George Westerman, em entrevista recente, apresentou a seguinte definição: “Transformação digital é quando as companhias usam tecnologias para mudar radicalmente a sua performance ou abrangência”. Baseado nela, é possível dizer que a transformação digital vai além do desenvolvimento de aplicações voltadas para o cliente em um ambiente formal. É um conceito mais amplo, principalmente, ao considerar a mudança estrutural envolvida, a qual impacta os objetivos estratégicos, o modelo de negócio e a propensão à inovação das organizações.

Essa transformação deve tomar como reflexão diversos fatores, dos quais se destacam:

– Construir uma cultura digital é estar aberto ao desenvolvimento de novas ideias e aprender com os possíveis erros delas;

– Ser integrada entre as unidades de negócios;

– Desenvolver interações digitais focadas no cliente (customer centricity);

– Desenvolver respostas digitais do operacional ao estratégico;

– Atuar nas soluções no modelo ágil.

A pesquisa C-Suite Challenge 2018, publicada pelo The Conference Board, realizada com mais de 500 executivos, corrobora com essa visão ao apresentar que a estratégia dos executivos tem a intenção de “criar uma cultura de inovação que encoraje cooperação entre funções e negócios e que promova a tomada de risco” e “expandir o ecossistema de inovação: construir alianças com clientes, fornecedores e/ou parceiros de negócios”. O estudo também constatou que, para estes líderes, as iniciativas de inovação objetivam o crescimento de receita.

Em suma, a Transformação Digital é estrutural, abrangente e estratégica. Não é restrita a uma abordagem desenvolvida pela área de Tecnologia de Informação, nem uma iniciativa pontual paralela aos objetivos corporativos. Ao contrário, ela passa por uma reorganização da empresa totalmente atrelada à estratégia, com vistas à evolução do negócio, tanto em eficiência operacional como em performance financeira e satisfação do cliente. E, assim como toda mudança estrutural, para ter sucesso, deve ser feita de modo gradual, estabelecendo uma comunicação clara e construindo uma nova cultura organizacional.

Na sua empresa ela pode surgir como uma visão complementar ao negócio, suportando os atuais objetivos estratégicos. Com o tempo, o tema pode ganhar maior relevância e até ser, posteriormente, o principal pilar estratégico.