Como a guerra no Oriente Médio impacta os preços do petróleo e o transporte global?
A guerra no Oriente Médio pressiona o preço do petróleo e eleva os custos do transporte global porque grande parte do fluxo energético mundial depende do Estreito de Ormuz.
Essa análise foi apresentada por Marcelo Ikaro, Executive Director da Peers Consulting + Technology, em entrevista concedida ao Mundo Logística.
Segundo o executivo, a região concentra um dos principais gargalos logísticos da economia global.
O Estreito de Ormuz conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Mar Arábico e funciona como a principal rota de exportação de energia do Oriente Médio.
Hoje, pelo estreito passam aproximadamente:
- 21 milhões de barris de petróleo por dia, cerca de 25% do consumo global
- 20% do gás natural liquefeito (GNL) do mundo, com forte participação do Catar
Isso significa que qualquer instabilidade militar na região impacta imediatamente o mercado global de energia.
Existem rotas alternativas ao Estreito de Ormuz?
Existem alternativas logísticas, principalmente por meio de oleodutos terrestres. No entanto, sua capacidade é limitada.
Os oleodutos existentes conseguem transportar cerca de 7 milhões de barris por dia, o que representa apenas um terço do volume que passa diariamente pelo estreito.
Na prática, isso significa que essas rotas não conseguem substituir totalmente o fluxo marítimo.
Os países asiáticos são os mais expostos ao risco logístico, já que aproximadamente 80% do petróleo que consomem vem dessa região.
Quando navios precisam utilizar rotas mais longas, o custo final aumenta principalmente por dois fatores:
- distâncias maiores de transporte
- aumento no preço do frete marítimo
Quais são os impactos imediatos nos mercados de energia e transporte?
Quando ocorrem ataques a navios ou bloqueios logísticos na região, os efeitos aparecem rapidamente nos mercados globais.
Os principais impactos incluem:
1. Alta do preço do petróleo
Em março de 2026, o Brent ultrapassou US$ 95 por barril, com volatilidade intraday próxima de 5%.
A redução do fluxo energético global cria um déficit de oferta no mercado físico, pressionando os preços.
2. Aumento do custo de seguros marítimos
Ataques recentes atingiram pelo menos 14 embarcações, levando seguradoras a aumentar significativamente os prêmios.
O setor passou a aplicar a War Risk Surcharge, uma sobretaxa de risco de guerra.
Em algumas rotas:
- o seguro subiu de 0,05% para 0,7% do valor do navio
- o custo de um petroleiro pode aumentar em mais de US$ 200 mil por viagem
3. Fretes marítimos mais caros
O combustível utilizado pelos navios, conhecido como bunker, acompanha diretamente o preço do petróleo.
Com isso, armadores aplicam o chamado Bunker Adjustment Factor (BAF), que eleva o custo do transporte de contêineres nas rotas:
- Ásia – Europa
- Ásia – Américas
Esse cenário reforça uma tendência discutida em análises recentes sobre geopolítica e cadeias globais de suprimentos.
Entenda como tensões geopolíticas estão redesenhando cadeias logísticas globais e acelerando mudanças no uso de tecnologia e dados no setor.