IPOs e M&A: Retrospectiva 2023 e perspectivas para 2024

Edson Kawabata

Edson Kawabata

Tempo de leitura 3 minutos

Categoria Strategy e M&A

Edifício sede do Banco Central do Brasil.
Foto: Jonas Pereira/Agência Senado


Horizonte desanuviando: corte da Selic pelo Banco Central é um dos fatores que podem impulsionar retorno de IPOs em 2024, diz Edson Kawabata

 

2023 foi mais um ano com redução em transações empresariais no Brasil. Segundo o TTR Data, até novembro, 1.791 operações (82% já concluídas) movimentaram R$ 191,8 bilhões, com destaque para fusões e aquisições (M&A) (944 transações), seguidas por Venture Capital (512), Asset Acquisition (247) e Private Equity (88).

Tais números evidenciam um cenário de baixa, diante das 2.387 transações em 2022 e das 2.560 em 2021.

Ao mesmo tempo, o segmento de IPOs (ofertas públicas iniciais de ações, na sigla em inglês) enfrentou desafios ainda maiores em 2023. Após um período de alta entre 2020 e 2021, em que mais de 70 empresas abriram capital, uma “seca” prolongada de mais de dois anos se instalou, a maior nos últimos 25 anos.

No mesmo período, ocorreram aproximadamente 20 “follow-on” (oferta subsequente de ações realizada por uma empresa já listada em bolsa), evidenciando uma busca por recursos adicionais, redução do endividamento e oportunidades de crescimento.

Estes dois movimentos podem ser explicados por fatores como conflitos geopolíticos externos em Israel e Ucrânia (elevando o nível de incerteza global), taxas de juros persistentemente elevadas no Brasil e EUA e a transição do contexto político nacional.

 

IPOs e o peso dos fatores macroeconômicos

A realização de IPOs depende ainda mais de condições e fatores macroeconômicos favoráveis, como um cenário econômico positivo, estabilidade política e taxas de juros mais baixas.

Com a redução da SELIC, os investimentos em renda fixa se tornam menos rentáveis, aumentando a demanda pela renda variável – como ações – e vice-versa. Além disso, taxas de juros mais altas podem resultar em pressões de valuation para as empresas que estão considerando IPOs, o que pode tornar a decisão de listar ações menos atraente.

O desempenho atual e a perspectiva global da economia, incluindo taxas de crescimento e empregabilidade, emergem como determinantes críticos que impactam a confiança tanto das empresas quanto dos investidores.

Setores mais estáveis ou promissores, especialmente em um ambiente mais otimista, criam um terreno propício para que as empresas se sintam mais encorajadas a buscar financiamento no mercado de ações.

 

IPOs e M&As: O que esperar de 2024

À medida em que direcionamos nosso olhar para 2024, uma nova página se desenha na narrativa dos mercados financeiros brasileiros. Com a perspectiva de uma queda na taxa Selic (o boletim Focus projeta queda de 11,75% para 9,25% até o fim do ano), maior estabilidade política e a aprovada reforma tributária, há uma redução na percepção do risco, proporcionando espaço para operações mais relevantes e estratégicas.

Em dezembro de 2023, a S&P Global Ratings elevou o rating de escala de longo prazo na escala global do Brasil de BB- para BB. No entanto, um olhar atento ao cenário global é imprescindível, considerando desdobramentos de guerras e indicadores macroeconômicos negativos que podem influenciar a consolidação ou expansão desse mercado.

No universo dos IPOs, a expectativa é de movimentações a partir do 2º trimestre de 2024. Em meio a um contexto global caracterizado por incertezas, o Brasil destaca-se com promessas de uma taxa Selic em queda, inflação controlada e reforma tributária.

Empresas sólidas e tradicionais, notadamente nos setores de infraestrutura, saneamento e energia, emergem como protagonistas das próximas transações de IPO, infundindo uma nova vitalidade ao mercado e antecipando um período de renovação e crescimento.

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