O Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA) representa um marco decisivo para a soberania digital do país, mobilizando investimentos bilionários para fomentar a inovação tecnológica. As oportunidades e desafios dessa nova estratégia nacional foram destaque no portal Investing, com insights exclusivos de Rafael Pansanato, Associate Sr Manager na Peers Consulting + Technology.
Para conferir a reportagem publicada pelo veículo, acesse a materia. Abaixo, aprofundamos a discussão com nossa análise técnica completa sobre os eixos de investimento, a integração público-privada e os impactos reais do PBIA na produtividade empresarial brasileira.
Oportunidades do Plano Brasileiro de IA e a Integração Público-Privada
O Plano Brasileiro de Inteligência Artificial 2024-2028 (PBIA), lançado sob o mote “IA para o Bem de Todos”, prevê investimentos do governo federal de cerca de R$ 23 bilhões até 2028. Desse montante, R$ 13,79 bilhões destinam-se à IA para Inovação Empresarial e R$ 5,79 bilhões à Infraestrutura e Desenvolvimento de IA — os dois maiores eixos do programa.
Para além dos números, o PBIA sinaliza uma tentativa estratégica: transformar a IA em vetor de competitividade empresarial, ao mesmo tempo em que constrói bases para a soberania digital do país. O êxito, no entanto, dependerá da capacidade de integrar setor público e privado em uma agenda comum de inovação.
IA como motor da produtividade empresarial brasileira
O Brasil convive há décadas com um dilema: baixa produtividade frente a pares internacionais. O investimento bilionário em inovação empresarial busca alterar esse quadro, oferecendo suporte técnico, centros de apoio especializados e estímulo à cadeia de valor da IA.
Nesse contexto, dois programas respondem por mais de 80% dos recursos previstos: o Desenvolvimento de Datacenters Nacionais e as Soluções de IA para Missões da Nova Indústria Brasil (NIB). O primeiro abre espaço para criar uma infraestrutura crítica capaz de sustentar aplicações empresariais em escala, reduzindo a dependência de provedores estrangeiros. Já o segundo representa uma oportunidade de aplicar IA em setores estratégicos da indústria nacional — alinhadas às necessidades da Nova Indústria Brasil — conectando inovação tecnológica diretamente a desafios estruturais da economia.
O grande desafio será evitar a concentração desses ganhos apenas em grandes players. Sem políticas de difusão tecnológica para pequenas e médias empresas (PMEs), o PBIA corre o risco de ampliar assimetrias tecnológicas entre setores e regiões.
Infraestrutura de IA e soberania digital
A segunda grande aposta do plano é em Infraestrutura e Desenvolvimento de IA. O pacote prevê a modernização de supercomputadores nacionais, criação de datacenters verdes e o desenvolvimento de modelos de linguagem (LLM) em português.
Esse movimento tem implicações geopolíticas e econômicas claras: reduzir a dependência das big techs estrangeiras e aumentar a autonomia tecnológica do Brasil. A construção de uma pilha nacional de dados e softwares pode ainda servir como base para soluções locais adaptadas à realidade brasileira.
Entretanto, dois riscos estratégicos se destacam: a dependência de tecnologias críticas estrangeiras (como chips avançados) e os altos custos energéticos. A manutenção de grandes centros de processamento exige enorme consumo de energia, o que pode comprometer a sustentabilidade financeira do plano se não houver integração consistente com a matriz renovável do país.
A ponte público-privada como diferencial competitivo
Se a inovação empresarial e a infraestrutura formam os pilares, é a integração público-privada que pode consolidar o PBIA como motor de transformação.
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Para o setor privado, a abertura de acesso a supercomputadores e datasets nacionais representa a chance de acelerar P&D com menor custo.
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Para o setor público, áreas como saúde, educação e segurança podem se tornar laboratórios de aplicação da IA.
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Universidades e startups completam o elo, funcionando como espaços de inovação ágil e formação de talentos.
Essa convergência pode criar um ciclo virtuoso: empresas mais produtivas, serviços públicos mais eficientes e um ecossistema nacional de IA mais soberano.
Conclusão
O PBIA não é apenas um plano de fomento: trata-se de uma aposta em reposicionar o Brasil no cenário global de inovação. A promessa é grande: ganhos de produtividade, soberania digital e sustentabilidade.
Contudo, quando comparado ao cenário global, os investimentos ainda são tímidos. A União Europeia e a França, por exemplo, já anunciaram iniciativas na casa das centenas de bilhões de euros para rivalizarem com China e Estados Unidos.
Em suma, apesar dos investimentos no Brasil não significarem competitividade em volume, podem capturar nichos estratégicos com potencial de alavancar setores que hoje sofrem com baixa digitalização. O risco, porém, é claro: sem execução eficiente e governança robusta, o plano pode se diluir em intenções.
Para investidores e empresas, o PBIA deve ser lido como um convite à ação estratégica: antecipar oportunidades, mapear riscos e posicionar-se desde já em um mercado cada vez mais competitivo.
Leia a cobertura da matéria na íntegra no Investing.
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