A inovação em Supply Chain é a integração de tecnologias como Inteligência Artificial, IoT e automação para converter processos manuais em fluxos digitais inteligentes. Esse movimento busca eliminar silos operacionais e decisões reativas, permitindo que a cadeia de suprimentos ganhe visibilidade em tempo real, previsibilidade de demanda e resiliência estratégica diante de oscilações do mercado.
Essa análise foi destaque no Mundo Logística, pautada pela visão estratégica de Rodrigo Pessotto, Team Leader na Peers Consulting + Technology.
Leia a matéria na íntegra no Mundo Logística.
Qual é o atual cenário da digitalização em Supply Chain e onde reside o valor real?
Embora o termo “transformação digital” permeie a maioria das agendas corporativas, observa-se no mercado uma lacuna significativa entre o discurso teórico e a captura efetiva de valor. O cenário atual revela uma dicotomia preocupante: de um lado, organizações que aceleram o uso de tecnologia para ganhar eficiência, visibilidade e capacidade de resposta; do outro, empresas presas a modelos operacionais reativos, fragmentados em silos e dependentes de decisões manuais. Para setores altamente competitivos, a digitalização ultrapassou a barreira do “diferencial de mercado” e estabeleceu-se como uma condição sine qua non para a sobrevivência e manutenção da competitividade.
O ponto focal para executivos e gestores não deve ser apenas a adoção da ferramenta pela ferramenta, mas a resposta para a pergunta: como as tecnologias estão, de fato, entregando valor tangível? As inovações no Supply Chain ocorrem em diferentes dimensões de maturidade, desde a simples digitalização (conversão do papel) e automação de tarefas, até a transformação digital plena, que altera modelos de negócios baseados em dados. O erro comum é limitar a visão dessas inovações a ferramentas de TI, quando, na realidade, elas são alavancas fundamentais para estabelecer resiliência operacional.
A transição de processos manuais para digitais e o repensar da cadeia de suprimentos com base em conectividade são os movimentos que estão redefinindo os líderes de mercado. A capacidade de evidenciar valor capturado — seja em redução de custos, agilidade ou precisão — é o que separa as iniciativas de sucesso daquelas que não conseguem escalar inovações pilotos para a operação global.
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Como a metodologia da Peers aplica tecnologia para gerar eficiência nas etapas da cadeia?
Para endereçar desafios crônicos do Supply Chain com clareza e impacto mensurável, é necessário atuar em todas as etapas da cadeia (Plan, Source, Make, Deliver) com soluções que integrem inteligência de dados e automação. Não se trata necessariamente de buscar a tecnologia mais disruptiva, mas aquela que resolve a dor operacional.
Na etapa de Planejamento (Plan), a grande evolução reside nos algoritmos de inteligência artificial. Grandes players do varejo alimentar já aliam automação com modelos preditivos que consideram histórico, sazonalidade e variáveis externas. O resultado prático é um aumento superior a 20% na acuracidade das previsões, além de uma redução drástica nas rupturas de estoque, permitindo adequar planos de abastecimento de forma ágil.
Na Produção e Operações (Make) e na Logística (Deliver), os dados de eficiência são contundentes:
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Indústria: A aplicação de algoritmos de controle avançado em 76 equipamentos na Ambev resultou em uma redução de 70% no desvio padrão da taxa de evaporação de brassagem e uma economia de 4% no consumo de energia das plantas fabris.
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Administrativo: O uso de RPA (Robotic Process Automation) reduziu em mais de 60% o esforço operacional em tarefas repetitivas como conciliação de fretes, emissão de CTe e conferência de notas fiscais.
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Intralogística: A robótica autônoma em centros de distribuição, como no caso do Mercado Livre, gerou uma diminuição de 20% no tempo de processamento de pedidos.
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Malha Logística: O uso de gêmeos digitais (digital twins) permitiu à Magazine Luiza redesenhar sua malha em semanas, reduzindo custos de frete em até 8%.
Como destaca Rodrigo Pessotto, Team Leader na Peers Consulting + Technology:
“As oportunidades estão postas. A diferença entre ser protagonista ou espectador da corrente evolução do Supply Chain será definida pelas decisões tomadas agora. É preciso deixar de tratar tecnologia como investimento em TI e passar a vê-la como investimento em competitividade e resiliência.”
Quais são os desafios de governança e riscos na implementação dessas tecnologias?
A implementação de tecnologias de alto calibre em Supply Chain não é isenta de riscos e desafios complexos. O principal obstáculo raramente é técnico, mas sim cultural e de governança. A transição de um modelo manual para um automatizado exige uma mudança de mentalidade profunda. Organizações que tentam sobrepor tecnologias modernas a processos arcaicos ou “quebrados” tendem a falhar, ampliando ineficiências em vez de eliminá-las. Além disso, a integração de elos da cadeia — como visto no uso de plataformas de Control Tower e redes colaborativas B2B (ex: SAP Business Network) — exige um nível de padronização e compliance rigoroso entre fornecedores e centros de distribuição.
Há também o desafio da segurança e integridade dos dados. Ao conectar produção, logística e exportação em torres de controle integradas, como feito no agronegócio, ou ao monitorar cargas sensíveis em tempo real (ex: Eurofarma), a empresa deve garantir que a governança desses dados suporte decisões críticas sem falhas. A dependência de algoritmos para decisões de abastecimento ou controle de qualidade industrial requer uma validação constante para evitar que vieses ou erros sistêmicos paralisem a operação. Executivos devem priorizar business cases com retorno claro e escolher parceiros que entendam não apenas do código, mas da complexidade operacional do chão de fábrica e da logística.
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O que esperar do futuro do Supply Chain nos próximos anos?
Olhando para um horizonte de 2 a 5 anos, a tendência é que a visibilidade e a responsividade deixem de ser vantagens competitivas para se tornarem requisitos regulatórios e de mercado. A digitalização evoluirá para ecossistemas totalmente integrados, onde sensores IoT e rastreabilidade (como os usados hoje para produtos perecíveis e de alto valor) cobrirão toda a cadeia, do fornecedor de matéria-prima ao consumidor final.
A capacidade de adaptação rápida — exemplificada pela realocação de estoques durante a pandemia — será potencializada por simulações em tempo real cada vez mais precisas. O futuro do Supply Chain pertence às empresas que conseguirem orquestrar a evolução contínua, utilizando a tecnologia não apenas para cortar custos, mas para criar novos modelos de valor. Aqueles que não iniciarem essa jornada de estruturação de dados e automação agora, enfrentarão dificuldades severas para manter relevância em um mercado que não tolera mais ineficiência ou falta de transparência.
FAQ – Perguntas Frequentes
O que diferencia a Inovação em Supply Chain da gestão logística tradicional?
A gestão tradicional muitas vezes opera de forma reativa e em silos manuais. Já a Inovação em Supply Chain utiliza tecnologias como Inteligência Artificial e IoT para integrar a cadeia de ponta a ponta (End-to-End). O objetivo não é apenas mover produtos, mas gerar visibilidade em tempo real, previsibilidade de demanda e resiliência operacional, transformando a logística em uma alavanca de competitividade e não apenas um centro de custo.
Como a Inteligência Artificial e a Automação geram valor real na operação?
A tecnologia atua eliminando ineficiências humanas e antecipando cenários. No planejamento, a IA aumenta a acuracidade de previsões em mais de 20%, evitando rupturas. Na indústria, algoritmos de controle avançado reduzem a variabilidade de processos (como no caso da Ambev, com redução de 70% no desvio padrão), enquanto na logística, Gêmeos Digitais permitem simular e otimizar rotas, reduzindo custos de frete em até 8%.
Quais são os principais riscos de governança ao implementar essas tecnologias?
O maior risco é tentar automatizar processos ineficientes (“automatizar o caos”) e negligenciar a integridade dos dados. A implementação exige Governança de Dados rigorosa para garantir que as informações que alimentam os algoritmos sejam confiáveis. Além disso, há o desafio da mudança cultural: a equipe precisa ser preparada para transitar de tarefas manuais repetitivas para funções analíticas, garantindo que a tecnologia seja adotada e não rejeitada pelo time operacional.
Por onde começar uma estratégia de transformação digital no Supply Chain?
Não comece pela ferramenta, mas pela “dor” do negócio. O ideal é iniciar com um diagnóstico para identificar gargalos (ex: excesso de estoque, frete alto ou falha na previsão). A partir disso, priorize Business Cases com retorno claro e rápido (Quick Wins). A estratégia deve ser escalável: comece com pilotos controlados — como a automação de uma linha específica ou uso de RPA no administrativo — e expanda conforme o valor for comprovado.
A Peers realiza a implementação técnica das soluções de Supply Chain ou apenas a consultoria estratégica?
Atuamos de ponta a ponta. A Peers Consulting + Technology combina a visão de negócio (consultoria) com a capacidade de entrega técnica (braço de tecnologia). Nós desenhamos a estratégia, selecionamos as melhores ferramentas e executamos a implementação, garantindo que a solução converse com a realidade operacional da sua empresa. Para entender como podemos otimizar sua cadeia, entre em contato com nossos especialistas.
