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Resultados do 3T25 no Varejo de Moda: Crescimento com Margens sob Pressão

O setor de varejo de vestuário consolidou um cenário de alta competitividade e busca por eficiência operacional no terceiro trimestre de 2025. As principais companhias do mercado demonstraram movimentos estratégicos distintos, oscilando entre a proteção de margens e a busca agressiva por expansão de receita, o que redesenha as perspectivas de produtividade por loja para os próximos ciclos

A relevância dessa análise foi destaque na mídia, repercutindo em veículos como Energia Limpa e Misto Brasil. O estudo foi desenvolvido por Admar Corrêa, Executive Director na Peers, que aprofundou o olhar sobre os indicadores financeiros do período.

Para compreender a fundo os números que ditaram essas tendências, apresentamos a seguir a nossa análise técnica completa sobre o desempenho das varejistas.

Análise do Varejo de Moda no 3T25: Produtividade e Rentabilidade no Centro da Estratégia

O terceiro trimestre de 2025 marcou um ponto de inflexão na competição do setor de varejo de vestuário no Brasil. A análise consolidada dos resultados financeiros e operacionais de Renner, Riachuelo (RCHLO), C&A e Azzas 2154 revela um cenário onde diferentes estratégias de crescimento e escala colidem com a necessidade imperativa de eficiência operacional.

Enquanto alguns players aceleram a receita de forma agressiva, outros freiam a expansão física para proteger a última linha do balanço. Neste artigo, detalhamos os indicadores de performance que definiram os vencedores do trimestre.

Liderança e Maturidade: A Eficiência da Renner

A Renner reafirmou sua posição de liderança no setor, entregando os números mais consistentes de rentabilidade. A companhia reportou a maior Receita Líquida do grupo, somando R$ 3.079,1 milhões, com um crescimento de +4,2% ano contra ano.

Admar Corrêa, Executive Director na Peers Consulting + Technology

O grande diferencial da Renner, contudo, não foi apenas o volume de vendas, mas a qualidade dessa receita. A varejista apresentou a maior eficiência na conversão de vendas em caixa, registrando:

  • Margem EBITDA Ajustada de 19,3% (R$ 593,8 milhões).

  • Margem Líquida Ajustada de 9,1%, a mais alta entre os concorrentes analisados, resultando em um Lucro Líquido de R$ 279,4 milhões.

Esses indicadores validam uma estratégia de alavancagem operacional das lojas existentes, mantendo um controle de custos rigoroso que a diferencia no mercado.

Riachuelo: Expansão Agressiva e Gestão de Custos

Na contramão de um mercado mais cauteloso, a Riachuelo (RCHLO) protagonizou o movimento mais agressivo de expansão de top line. A companhia atingiu um impressionante crescimento de +36,5% na Receita Líquida, totalizando R$ 2.452,2 milhões. Este crescimento veio acompanhado de uma gestão eficiente do custo de mercadoria, refletida na Margem Bruta de 61,0% — a maior do setor, superando significativamente a média dos pares

No entanto, a conversão desse resultado bruto para as linhas finais do balanço encontrou desafios. Com uma Margem EBITDA Ajustada de 16,4% e uma Margem Líquida de apenas 3,0%, a Riachuelo demonstrou maior pressão nas despesas operacionais em comparação com Renner e Azzas, indicando que o crescimento acelerado cobrou seu preço na eficiência final.

C&A: O Benchmark de Produtividade por Loja

A C&A se destacou sob uma ótica diferente: produtividade. Embora tenha apresentado o crescimento de receita mais modesto do grupo (+2,3%), a varejista provou ter a operação mais eficiente na ponta da venda.

Com o menor parque de lojas (333 unidades), a C&A atingiu a maior Receita Líquida por Loja do setor: R$ 4,9 milhões. Para efeito de comparação, esse número supera a Renner (R$ 4,4 milhões) e é mais que o triplo da produtividade por loja do grupo Azzas.

A companhia manteve margens saudáveis, com Margem Bruta de 54,6% e Margem EBITDA de 18,1%, consolidando um modelo de negócio focado em extrair o máximo valor de cada metro quadrado existente.

Azzas 2154: Otimização de Portfólio e Proteção de Margem

O Grupo Azzas 2154 adotou uma estratégia clara de saneamento de rede. Foi o único player a reduzir seu parque de lojas no trimestre, com um fechamento líquido de 28 unidades.

Essa decisão estratégica impactou o faturamento, levando a uma retração de -2,3% na Receita Líquida. Contudo, o movimento se provou acertado para a rentabilidade: mesmo com a menor produtividade por loja (R$ 1,5 milhão) — reflexo de um modelo de negócio pulverizado com mais de 2.000 unidades —, o grupo garantiu a segunda melhor Margem Líquida do setor (6,8%).

Conclusão: O Novo Imperativo do Varejo

A análise dos resultados do 3T25 aponta para uma mudança de prioridades no varejo de moda brasileiro. Enquanto a Riachuelo aposta na escala e no crescimento via estratégias financeiras e comerciais, concorrentes como Renner e C&A voltam-se para a eficiência operacional e produtividade por loja.

Em um cenário de competitividade acirrada, a capacidade de equilibrar expansão com rentabilidade líquida deixa de ser um diferencial para se tornar o principal indicador de sustentabilidade do negócio.

FAQ: Como a Peers Potencializa seus Resultados

1. Como equilibrar crescimento acelerado e rentabilidade? No 3T25, vimos estratégias distintas entre crescimento de receita (Riachuelo) e proteção de lucro (Renner). A Peers atua no Planejamento Estratégico, definindo o momento certo de acelerar ou consolidar a operação para garantir a sustentabilidade financeira do seu negócio.

2. Como atingir níveis de eficiência operacional de mercado? Líderes como a Renner operam com margens altas devido ao controle rígido de processos. Nossa consultoria implementa projetos de Eficiência Operacional e Redução de SG&A, eliminando ineficiências e otimizando custos fixos para proteger sua margem.

3. Minhas lojas têm baixa produtividade. Como resolver? Para alcançar a produtividade por m² de benchmarks como a C&A, a Peers atua na Eficácia Comercial. Revisamos sortimento, precificação e incentivos de vendas para garantir que cada unidade atinja seu potencial máximo.

4. Quando devo fechar lojas ou otimizar o portfólio? Assim como o Grupo Azzas, a gestão eficiente de ativos exige identificar e descontinuar operações deficitárias. Realizamos diagnósticos de Turnaround, apontando unidades que destroem valor e desenhando o plano de ação ideal, seja reestruturação ou desinvestimento.

Quer esses resultados na sua empresa? Fale com nossos especialistas e descubra como podemos ajudar.

Admar Neto

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