A reforma tributária altera a lógica da logística frigorificada ao transformar custos em créditos e mudar decisões operacionais. O desafio passa a ser a gestão financeira e a adaptação estratégica durante a transição até 2032.
A reforma tributária muda de forma estrutural a logística frigorificada no Brasil.
Com a implementação do IVA dual (IBS e CBS), custos operacionais antes acumulados passam a gerar créditos, alterando a competitividade do setor, a estrutura de contratos e o desenho das malhas logísticas.
Em análise publicada na Logweb, Marcelo Ikaro, Diretor Executivo da Peers Consulting + Technology, explica como essas mudanças impactam diretamente transportadoras e operadores logísticos que atuam com produtos refrigerados.
Na prática, o impacto aparece direto na operação. Custos antes acumulados passam a gerar crédito, a lógica fiscal entre estados perde força e abre espaço para decisões mais orientadas à eficiência.
Em paralelo, a transição até 2032 adiciona complexidade e exige uma gestão mais estruturada.
A mudança já começa a redesenhar a operação em diferentes frentes.
A possibilidade de crédito sobre insumos essenciais reduz distorções de custo ao longo da cadeia, enquanto a tributação no destino muda a lógica de localização das operações. Ao mesmo tempo, o período de transição exige mais atenção na gestão contratual e financeira.
A reforma tributária reduz custos ao permitir o crédito integral sobre insumos essenciais da operação logística.
Itens como combustível, energia elétrica e manutenção de equipamentos térmicos deixam de ser custos acumulados e passam a ser recuperáveis via IBS e CBS. Isso muda a lógica de formação de custo e melhora a eficiência ao longo da cadeia.
O impacto é direto em alguns dos principais componentes da operação, como o consumo contínuo de combustível, a demanda energética para refrigeração e a necessidade constante de manutenção dos equipamentos térmicos.
Como resume Marcelo Ikaro, Diretor Executivo na Peers:
“A incerteza deixou de ser a possibilidade de gerar crédito e passou a ser a agilidade no seu retorno, exigindo uma gestão mais estruturada do fluxo de caixa.”
A principal mudança é a substituição de tributos como PIS, Cofins, ICMS e ISS por dois impostos sobre consumo: IBS e CBS.
Esse novo modelo estabelece uma lógica mais uniforme, com base de cálculo padronizada, não cumulatividade plena e maior transparência ao longo da cadeia.
Na prática, isso reduz distorções históricas, mas também exige maior maturidade na gestão financeira, especialmente considerando a alíquota estimada em torno de 26,5% e os desafios do período de transição.
A mudança para a tributação no destino elimina a lógica de localização baseada em incentivos fiscais.
Com isso, a decisão sobre onde posicionar centros de distribuição passa a ser guiada principalmente por eficiência logística e proximidade com o consumidor.
Na cadeia frigorificada, esse movimento se traduz em ganhos operacionais relevantes. A redução das distâncias percorridas diminui o risco de quebra de temperatura, melhora o nível de serviço e reduz o custo total de transporte.
Nesse contexto, algumas práticas começam a ganhar espaço de forma mais consistente.
Cláusulas de ajuste automático permitem acompanhar a variação da carga tributária ao longo do tempo, evitando distorções financeiras.
Estruturas de transição ajudam a adaptar contratos à saída dos tributos atuais e à entrada do novo modelo.
Na prática, essas medidas trazem mais previsibilidade e ajudam a preservar a margem das operações.
A terceirização passa a ganhar ainda mais relevância nesse novo cenário.
Isso acontece porque a folha de pagamento da frota própria não gera créditos de IBS e CBS, enquanto serviços contratados permitem o aproveitamento integral desses créditos.
Na prática, isso muda a lógica de decisão. O custo deixa de ser analisado apenas pelo valor direto e passa a considerar também a eficiência tributária da operação.
Esse movimento abre espaço para uma revisão mais estratégica dos modelos logísticos, especialmente na escolha de parceiros e na estrutura da operação.
Se quiser entender melhor como esse tipo de decisão impacta a eficiência e o controle de custos, vale explorar o artigo sobre Estrutura de custos empresariais e eficiência operacional em Supply Chain.
Com esse avanço, a escolha de parceiros logísticos passa a ter um peso ainda maior na competitividade.
Operadores mais estruturados permitem uma gestão de crédito mais simples e direta, além de maior previsibilidade operacional.
Ao mesmo tempo, o modelo também se adapta para manter o equilíbrio com autônomos e pequenos prestadores, com mecanismos previstos para esse cenário.
Empresas especializadas em cadeia fria tendem a ganhar vantagem, já que conseguem maximizar eficiência operacional e tributária ao mesmo tempo.
Como a Peers pode ajudar?
A Peers Consulting & Technology apoia empresas e organizações ao longo de toda a jornada, da definição da estratégia até o desenho e a implementação, com soluções especializadas que integram negócios e tecnologia, impulsionando eficiência, crescimento, transformação e conformidade regulatória.
Como a reforma tributária afeta as exportações?
As exportações permanecem imunes ao IBS e à CBS, com direito integral a crédito, eliminando o resíduo tributário.
Qual o principal desafio para o caixa?
O intervalo entre pagamento do tributo e recuperação do crédito, que pode pressionar o fluxo de caixa.
Como a reforma impacta tecnologia na cadeia fria?
A possibilidade de crédito sobre equipamentos e manutenção reduz o custo efetivo de inovação e incentiva a modernização.
Qual o maior risco na precificação?
Equilibrar a queda dos tributos atuais com a subida do novo IVA durante a transição, evitando margens comprometidas.