SRO 3.0 da Susep: por que a nova exigência regulatória desafia a arquitetura de dados das seguradoras

KEY TAKEAWAYS

  • Pressão regulatória crescente: A implementação do SRO 3.0 ocorre em meio a múltiplas agendas regulatórias que pressionam as equipes de tecnologia das seguradoras.
  • Arquitetura de dados como gargalo: A maior dificuldade está no acesso, qualidade e estruturação das informações exigidas pelo novo layout.
  • Tecnologia como vantagem operacional: Companhias com maior maturidade tecnológica conseguem transformar exigências regulatórias em ganhos de eficiência.

A implementação do SRO 3.0 da Susep exige profundas adaptações na arquitetura de dados das seguradoras. Diante de um cenário de baixa adesão inicial aos testes operacionais, o mercado enfrenta o desafio de conciliar limitações técnicas com as novas demandas regulatórias.

Como o SRO 3.0 muda a gestão de dados no mercado segurador?

A implementação do SRO 3.0 exige mudanças estruturais na modelagem de dados das seguradoras e amplia significativamente o nível de informação reportado ao regulador. Segundo Alexandre Sgarbi, diretor da Peers Consulting + Technology, em reportagem concedida à Revista Apólice, a nova versão do Sistema de Registro de Operações representa um avanço na agenda de digitalização regulatória da SUSEP.

O novo formato amplia o escopo de registro para seguros de danos e seguros de pessoas estruturados em regime financeiro de repartição simples, além de exigir maior granularidade. Para o diretor Alexandre Sgarbi, a mudança exige mais do que adaptação tecnológica.

Sgarbi afirma que o SRO V3 teve diversas implementações novas e revisões ao longo de 2025, o que exige um nível elevado de desenvolvimento e entendimento das regras de negócio.

Saiba mais sobre o cenário de adaptação do setor no nosso material sobre o Marco Legal de Seguros e como se preparar.

Por que parte das seguradoras ainda enfrenta dificuldades para cumprir o novo formato?

O principal motivo é a combinação entre limitação de capacidade das equipes de tecnologia e a complexidade técnica do projeto, refletida na baixa adesão inicial, onde apenas 17 das 135 empresas envolvidas (12,78%) haviam concluído os testes operacionais. De acordo com Sgarbi, grande parte das seguradoras enfrentou simultaneamente diversas demandas regulatórias ao longo de 2025, o que pressionou fortemente as equipes responsáveis pela implementação.

Além disso, o próprio desenvolvimento do SRO 3.0 passou por sete revisões, exigindo adaptações sucessivas.

Entenda como estruturar melhor a base da sua empresa lendo sobre arquitetura corporativa e seu impacto na TI.

Quais são os principais gargalos tecnológicos na adaptação ao SRO 3.0?

O maior gargalo hoje está no acesso e na qualidade dos dados utilizados pelas seguradoras, especialmente em nichos específicos como seguros rurais, marítimos e industriais. Segundo Sgarbi, diversos segmentos trabalham historicamente com informações que não estavam estruturadas ou sequer eram obrigatórias nos contratos firmados.

Nestes casos, a implementação da nova exigência requer não apenas ajustes em sistemas, mas também a revisão de processos internos de coleta e governança de dados. Sgarbi ressalta que projetos deste tipo só alcançam consistência quando a tecnologia e as áreas de negócio trabalham de forma integrada.

O SRO 3.0 pode acelerar a maturidade digital do setor de seguros?

Sim. A nova versão do sistema faz parte de um movimento mais amplo de digitalização regulatória conduzido pela SUSEP e indica um avanço na capacidade tecnológica da supervisão.

Na avaliação de Sgarbi, esta transformação exige que as seguradoras passem a tratar os temas regulatórios também como projetos estratégicos de tecnologia corporativa. Quando bem estruturadas, estas iniciativas podem gerar ganhos internos relevantes, servindo como oportunidade para evoluir a gestão interna de informações e melhorar processos.

Aprofunde-se no tema e veja como elevar o nível da sua operação no nosso artigo sobre maturidade de dados e vantagem competitiva.

Perguntas Frequentes

Como a Peers pode ajudar?

A Peers Consulting + Technology apoia empresas e organizações ao longo de toda a jornada, da definição da estratégia até o desenho e a implementação, com soluções especializadas que integram negócios e tecnologia, impulsionando eficiência, crescimento, transformação e conformidade regulatória. Acesse https://peers.com.br/como-fazemos/ e conheça mais sobre como trabalhamos.

Sim. A obrigatoriedade do formato 3.0 do Sistema de Registro de Operações entrou em vigor a 2 de março de 2026 para as seguradoras supervisionadas pela SUSEP.

Sim. As seguradoras que não estiverem em produção ou não apresentarem um plano de ação alinhado com a SUSEP podem receber ofícios e sanções previstas na Circular Susep nº 710/2024.

Não, o layout específico para resseguro ainda está em fase de discussão com o mercado. A base atual padronizada ajuda na conciliação dos dados, mas a previsão para o resseguro é apenas para 2028.

Não há um novo prazo de carência em produção. O período de adaptação já foi previsto durante a fase de testes no ambiente de certificação, onde as seguradoras puderam estressar cenários e garantir a consistência de seus dados.

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Alexandre Sgarbi

Alexandre Sgarbi

Executive Director

Diretor Executivo da Peers Consulting + Tecnology & Líder do setor de Saúde

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