Artigos
Compartilhe

Mercado de Seguros 2026: Inovação e o Novo Marco Legal

O mercado de seguros global e brasileiro atravessa uma transformação profunda em 2026, consolidando a transição de um modelo reativo para uma abordagem de prevenção inteligente. Este novo cenário é impulsionado pelo amadurecimento regulatório e pela expansão da consciência de proteção da população, onde a tecnologia atua como o sistema operacional de toda a cadeia de valor. O tema foi destaque na Revista Apólice, com a participação de Alexandre Sgarbi, Executive Director da Peers, que analisou como a convergência entre dados e novos hábitos de consumo redefine o setor.

Leia a cobertura da matéria na íntegra no Revista Apólice.

A seguir, apresentamos a nossa análise completa sobre os pilares estratégicos que moldam o futuro dos seguros.

Seguros 2026: Da Proteção Reativa à Prevenção Inteligente e Embarcada

O ano de 2026 consolida uma transformação sem precedentes no mercado de seguros global e brasileiro. Após um ciclo de intensa digitalização e amadurecimento regulatório, o setor deixa de ser percebido apenas como um “mal necessário” para se tornar um parceiro estratégico na gestão de riscos e no estilo de vida do consumidor. O crescimento das seguradoras e corretoras depende da transição de um modelo reativo para uma abordagem preditiva, onde a tecnologia atua como o sistema operacional de toda a cadeia de valor.

No Brasil, o otimismo é sustentado por projeções de crescimento para o setor em 2026, impulsionado pela expansão da consciência de proteção da população. O cenário é moldado pela entrada em vigor do novo Marco Legal do Seguro, que traz maior segurança jurídica e transparência para as relações de consumo.

Nesse novo tabuleiro, o seguro deixa de ser um produto isolado para se tornar uma experiência fluida e integrada.

Neste momento, a indústria de seguros se encontra em um ponto de inflexão. A convergência entre inteligência artificial, dados abertos e novos hábitos de consumo cria um ecossistema onde a personalização é a regra, não a exceção. As tendências a seguir destacam os pilares dessa revolução.

A Inteligência Artificial transcende os chatbots básicos e se torna o motor de decisão central das seguradoras. Em 2026, entramos na “Era da Produção” da IA, onde modelos generativos são usados para criar precificações ultraprecisas em tempo real e automatizar a regulação de sinistros de baixo risco com precisão cirúrgica.

O grande diferencial de 2026 é a “explicabilidade”: as seguradoras passam a tornar visível o “porquê” de cada decisão tomada por algoritmos, aumentando a confiança do segurado e atendendo a exigências regulatórias de transparência. A IA pode não apenas reduzir custos operacionais, mas transformar o atendimento em uma conversa natural e resolutiva, elevando o padrão de experiência do cliente a níveis inéditos.

Paralelamente, o conceito de “comprar um seguro” está sendo substituído pelo seguro que “já vem com o produto”. O Embedded Insurance (seguro embarcado) se dá quando a proteção é oferecida como um complemento natural no momento da compra, como a “garantia estendida”, por exemplo. Esse modelo se consolida como um canal de distribuição relevante, se integrando de forma quase imperceptível à jornada de compra de viagens, eletrônicos e veículos.

Neste contexto, o Open Insurance atua como um grande potencializador desses produtos. A integração de dados via SISS (Sistema de Seguros Aberto) permite que seguradoras ofereçam soluções contextuais: o seguro certo, no momento exato da necessidade, com base no comportamento real do usuário.

Outro movimento relevante é a evolução da hiperpersonalização e soluções mais flexíveis. O modelo de apólices anuais e estáticas pode abrir espaço para produtos que acompanham o ritmo de vida do segurado. Em 2026, os seguros pay-per-use podem ganhar espaço, principalmente entre o público jovem.

Um exemplo claro é o “Seguro liga e desliga”, em que o usuário pode “ligar” o seguro de uma câmera fotográfica ou notebook apenas durante uma viagem ou um evento específico, e “desligar” depois por meio dos aplicativos das seguradoras, pagando apenas pelos dias ou horas de uso.

Neste formato, a contração é altamente flexível, se adaptando às necessidades individuais do consumidor e atendendo ao público que deseja evitar custos fixos ou lidar com riscos pontuais.

No campo de riscos climáticos, a agenda ESG deixa de ser um relatório de sustentabilidade para se tornar o núcleo da precificação de riscos. Em 2026, a intensificação de eventos climáticos extremos eleva o Seguro Residencial e o Seguro Agrícola a patamares de alta prioridade.

As seguradoras passam a utilizar dados climáticos em tempo real e imagens de satélite para prever sinistros e orientar clientes sobre medidas preventivas. A sustentabilidade se torna uma moeda de troca: imóveis com certificações verdes podem usufruir de condições e prêmios diferenciados, consolidando o papel das seguradoras como indutoras de comportamentos resilientes e sustentáveis.

Em nível regulatório, o plano de regulação da SUSEP prevê:

I. Continuação do projeto estratégico “relatórios financeiros sustentáveis”, com possibilidade de adoção das normas globais IFRS S1 e S2, além de mudanças nas circulares vigentes referentes aos requisitos de sustentabilidade.

II. Estudo do Seguro Catástrofe para garantir maior resiliência a catástrofes naturais no país.

Além disso, em 2025 passou a vigorar a Resolução Conjunta N12/2025 (RC12), que facilita e flexibiliza condições de acesso ao crédito e pode impulsionar o aumento da poupança previdenciária.

Essa resolução foi considerada o primeiro passo importante de interoperabilidade entre o setor de seguros e financeiro, abrindo espaço para a intensificação da conexão banking-insurance, com condições de crédito mais vantajosas e produtos de previdência mais atrativos.

Por fim, com a entrada em vigor da Lei 15.040, a nova Lei de Seguros, as seguradoras deverão adequar processos, contratos e comunicações, garantindo maior transparência ao consumidor.

As alterações previstas pela SUSEP e CNSP podem impactar processos core das seguradoras e condições de produtos, tornando este um momento de oportunidade estratégica para revisão da operação e evolução da experiência do cliente.

Para liderar neste cenário de transformação, os players do mercado devem focar em seis pilares estratégicos:

  1. Adoção de IA com foco em explicabilidade

  2. Integração em ecossistemas (Embedded Insurance)

  3. Exploração estratégica do Open Insurance

  4. Foco em prevenção e resiliência climática

  5. Evolução do corretor para consultor de riscos

  6. Previdência como alavanca de acesso ao crédito

Em síntese, 2026 marca o nascimento de um mercado de seguros mais inteligente, transparente e integrado à vida cotidiana. As empresas que souberem navegar pela complexidade dos dados e pela urgência da agenda climática, sem perder o foco na experiência humana, não apenas protegerão patrimônios, mas criarão valor real para a sociedade.

Compartilhe