Mercado de cibersegurança no Brasil deve chegar a US$ 6,56 bilhões em 2031: o alerta por trás da corrida da IA
O avanço da cibersegurança no Brasil reflete uma mudança estrutural no risco corporativo. À medida que empresas digitalizam operações e aceleram a adoção de inteligência artificial, também ampliam sua superfície de exposição a ataques, vazamentos e interrupções operacionais.
O mercado brasileiro de cibersegurança deve encerrar 2026 movimentando US$ 4,05 bilhões, alta de 10% em relação aos US$ 3,68 bilhões registrados em 2025. A projeção é que o setor alcance US$ 6,56 bilhões em 2031, segundo levantamento da Peers Consulting + Technology divulgado com exclusividade à Broadcast, do Estadão.
A análise foi tema de entrevista de Marcelo Shiramizu, CEO da ACTAR Peers Group e Managing Director da Peers Consulting + Technology. Na publicação, Marcelo avalia que a estimativa ainda é conservadora, já que as ferramentas de inteligência artificial estão acelerando o mercado de cibersegurança.
O dado é relevante porque mostra que segurança digital deixou de ser uma pauta restrita à área técnica. Ela passou a influenciar eficiência, continuidade operacional, proteção de receita, confiança de clientes e exposição regulatória.
A inteligência artificial vem sendo incorporada às empresas como alavanca de produtividade, automação e ganho de escala. Mas o mesmo movimento também aumenta a capacidade de agentes maliciosos.
Em 2025, o Brasil registrou uma média de 3,7 mil ataques cibernéticos por semana, alta de 55% em relação a 2024. Segundo o levantamento da Peers citado pelo Estadão, esse avanço reflete o maior uso de IA por criminosos.
Na entrevista, Shiramizu destaca que, assim como há uma proliferação de agentes de IA do lado da defesa, mecanismos de IA também têm servido para multiplicar ataques.
Essa mudança altera a lógica da proteção. O desafio não é apenas enfrentar mais incidentes, mas responder a ameaças mais rápidas, automatizadas e sofisticadas.
O custo médio por incidente concretizado chegou a R$ 7,19 milhões, avanço de 6,5% em relação a 2024. Os setores mais visados foram telecomunicações, transporte rodoviário de cargas e serviços financeiros, segundo o levantamento da Peers.
Para empresas com operações complexas, esse dado reforça que cibersegurança precisa ser tratada como variável permanente de gestão. Um ataque bem-sucedido pode gerar paralisação de sistemas, exposição de dados sensíveis, perda de confiança, custos jurídicos, retrabalho operacional e impactos financeiros relevantes.
A questão, portanto, não é apenas quanto investir em segurança. É se a estratégia atual acompanha a velocidade da digitalização, da IA e dos riscos que surgem com esse avanço.
A corrida para embarcar IA nas empresas também pode levar a decisões apressadas. Segundo Shiramizu, algumas companhias têm negligenciado aspectos de segurança cibernética em nome da adoção.
Esse movimento se conecta ao paradoxo da agilidade, conceito que a Peers vem discutindo para mostrar como a busca por velocidade, quando não vem acompanhada de bases tecnológicas sólidas, pode criar fragilidades estruturais.
No caso da IA, esse risco se torna ainda mais sensível. A tecnologia pode gerar ganhos importantes de produtividade, mas também aumenta a circulação e o processamento de informações estratégicas.
Sem governança adequada, dados de clientes, documentos internos, informações financeiras e propriedade intelectual podem ser expostos a ambientes sem proteção suficiente. A resposta não deve ser frear a adoção, mas garantir que cibersegurança avance junto com inovação, não depois dela.
A projeção de US$ 6,56 bilhões até 2031 mostra que a cibersegurança deve continuar ganhando relevância no Brasil. Mas o principal ponto para executivos não está apenas no tamanho do mercado, está no motivo por trás desse crescimento.
Empresas estão mais digitais, mais conectadas e mais dependentes de dados. Ao mesmo tempo, ataques se tornam mais sofisticados e ganham escala com IA.
Nesse contexto, segurança digital deixa de ser uma camada adicional e passa a ser uma condição para crescimento. A empresa que acelera IA sem proteger dados, sistemas e decisões amplia risco operacional justamente no momento em que busca mais eficiência.
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