As 9 alavancas que realmente reduzem custo de transporte (e que não começam pela tabela)

Quando a diretoria pede corte de custo de frete, o primeiro impulso é ligar para a transportadora. Mas empresas que tratam a redução de custo de transporte como projeto de renegociação de tabela deixam a maior parte do ganho na mesa. Existe um conjunto estruturado de alavancas capaz de capturar ganhos de dois dígitos, muito além dos 3% a 8% típicos de uma negociação isolada.

Por que renegociar tabela captura tão pouco ganho?

Porque a tabela de frete é a consequência final de uma cadeia de decisões tomadas muito antes: como o pedido foi estruturado, como a demanda foi planejada, como a malha foi desenhada e como o modelo operacional foi executado. Iniciativas que começam e terminam na negociação de tabela capturam ganhos entre 3% e 8%, um resultado real, mas limitado ao espaço de manobra comercial da transportadora.

A captura estrutural exige atuar antes do frete existir como linha de custo: no desenho do pedido, no planejamento da demanda, na malha logística e no modelo operacional. É nesse território que aparecem os ganhos de dois dígitos, documentados em projetos conduzidos pela Peers.

Como funciona o framework de alavancas da Peers?

O ganho sustentável vem de uma sequência estruturada de decisões. O erro mais comum é atacar apenas o preço do frete quando o problema está distribuído em quatro camadas distintas da operação, cada uma com alavancas próprias e interdependentes.

Etapa Alavancas Foco
Planejar Desenho de malha, planejamento de demanda, gestão do pedido Onde o custo nasce
Estruturar Modelo de frete, estrutura tarifária, sourcing Como o custo é definido
Executar Execução operacional, auditoria de fretes Como o custo é controlado
Habilitar Tecnologia e inteligência de dados Como o custo é amplificado ou reduzido
Fonte: Peers Consulting + Technology, com base em diagnósticos conduzidos em operações de médio e grande porte.

A coordenação entre essas etapas gera mais resultado do que a soma isolada de iniciativas pontuais. Empresas que atuam em apenas uma camada capturam ganhos parciais. As que coordenam todas as quatro chegam aos ganhos de dois dígitos documentados em projetos reais.

O que revela o case de uma indústria de bens de consumo?

Em uma operação multimarca e multicanal, o diagnóstico mapeou 170 dores distintas e identificou 25 iniciativas organizadas entre quick wins, com prazo de até três meses, e iniciativas estruturantes, de três a seis meses.

As alavancas atacadas incluíram estrutura tarifária e dimensionamento de veículos no inbound, conversão de fluxos CIF para FOB, governança de fretes spot, unificação de CT-e e renegociação de adicionais e pedágio.

O resultado: potencial de R$ 46,4 milhões em ganho anual, com ROI de 45 vezes e upside máximo estimado em R$ 102,8 milhões. Nenhuma rodada isolada de negociação de tabela teria chegado perto disso.

Como as alavancas funcionam em setores de margem naturalmente apertada?

Em setores de baixo valor agregado, como cimento, aço, grãos e fertilizantes, o frete pode representar entre 8% e 20% do custo total do produto. Uma redução de 10% no custo de transporte equivale a um aumento expressivo de volume de vendas em termos de impacto na margem.

Nesses casos, a abertura estruturada dos dados de frete, nota a nota e rota a rota, revela quanto está sendo pago por um serviço que poderia ser internalizado ou renegociado com base em referência real de mercado.

Três aprendizados se repetem nesse tipo de diagnóstico:

  • O custo de operar via broker costuma ser invisível, mas real.
  • Questões tributárias e logísticas frequentemente são o mesmo problema visto por ângulos diferentes.
  • O timing da decisão vale dinheiro: analisar sem decidir tem custo de oportunidade calculável.

Como saber qual alavanca priorizar primeiro?

Empresas em estágios avançados de maturidade em transporte, com dados integrados e governança ativa das alavancas, costumam capturar de duas a três vezes mais valor das mesmas iniciativas do que operações ainda reativas. Avançar de estágio é uma decisão de gestão estratégica.

“A priorização não deveria começar pela alavanca mais fácil de implementar, mas pela que ataca o ponto de maior concentração de custo identificado no diagnóstico da operação”, explica Pedro Terra, à frente das análises de transporte da Peers Consulting + Technology.

Indícios de que uma operação está presa na lógica de somente negociar tabela:

  • O único indicador de sucesso acompanhado é o valor médio do frete pago por rota.
  • Não existe auditoria sistemática comparando frete pago, benchmark de mercado e should cost.
  • As iniciativas de redução de custo nunca envolvem Comercial, Supply ou TI, apenas a área de transporte.
  • Ganhos de negociação se dissipam em poucos meses porque a causa estrutural não foi endereçada.

O verdadeiro ganho sustentável vem da coordenação entre todas as alavancas: planejar, estruturar, executar e habilitar. Empresas que medem resultados apenas pela negociação de tabela perdem o valor estrutural que está incorporado em toda a operação.

SOBRE OS AUTORES

Pedro Henrique de Moura Terra
Pedro Henrique de Moura Terra
Associate Sr Manager
✉ pedro.terra@peers.com.br