Drex: Potenciais impactos do Real Digital sobre a economia real

Edson Kawabata

Edson Kawabata

Tempo de leitura 3 minutos

Categoria Varejo

Publicado originalmente em Money Times

 

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“Existem grandes expectativas em relação ao impacto do lançamento do Real Digital (ou Drexmoeda digital do BC), voltada para o uso no varejo”, explica Edson Kawabata (Imagem: REUTERS/ Adriano Machado)

 

digitalização da economia vem sendo impulsionada por players com propostas de negócio inovadoras e pela estratégia do Banco Central de democratizar acesso aos serviços financeiros. Assim como no lançamento do Pix, que revolucionou os meios de pagamentos no Brasil, existem grandes expectativas em relação ao impacto do lançamento do Real Digital (ou Drexmoeda digital do BC), voltada para o uso no varejo, com simulações de transações previstas ainda neste ano e lançamento ao final de 2024.

Diante das possibilidades de mudança na relação entre compradores, vendedores e meios de pagamento, é essencial avaliar este novo ativo, como ponto de partida para preparar os agentes econômicos e a população em geral para uma nova dinâmica de relação com a moeda.

 

Características do Drex, o Real Digital do BC

O Drex é um ativo digital baseado em DLT (Distributed Ledger Technology). Em síntese, a DLT funciona como um livro-razão compartilhado, onde várias pessoas podem adicionar e verificar transações sem a necessidade de intermediários, permitindo que ativos digitais, como o Drex, sejam rastreáveis sem a necessidade de uma autoridade central.

A tecnologia DLT é o principal diferencial do Drex frente aos serviços financeiros atuais: enquanto o PIX permite que pagamentos instantâneos sejam realizados e monitorados a qualquer momento, o Drex viabilizará o condicionamento de transações a requisitos acordados entre as partes, como meio de pagamento, através da criação de contratos inteligentes.

Neste modelo, a dependência da confiança mútua entre as partes é reduzida, pela automação da transação e incorporação de mecanismos de gerenciamento de risco.

Por fim, o Drex será operado exclusivamente pela plataforma homônima pertencente ao Banco Central. Sua emissão será realizada pelo próprio BC para o atacado e pelas instituições por ele autorizadas, para o varejo. Seu modelo operacional não prevê remuneração automática, tendo finalidade apenas transacional.

 

Possibilidades do Drex no varejo

A segurança proporcionada pelo Drex abre caminho para inovação em produtos e serviços financeiros. Apresentamos abaixo alguns exemplos de transformação das negociações entre agentes do mercado:

1. Transações de alto valor: A compra de bens que envolvem grandes volumes financeiros e são registrados com fé pública, como imóveis e veículos, pode se beneficiar do Drex, uma vez que o pagamento pode ser condicionado à transferência formal da propriedade.

2. Transações online: A integração do pagamento com o recebimento do item comprado pode ser um elemento transformador para o e-commerce, impulsionando o avanço dos marketplaces sobre os consumidores que ainda não realizam transações pela internet.

3. Soluções financeiras: A disponibilidade de serviço padronizado e respaldado pelo BC, que garanta o recebimento pelo lojista em prazo combinado, possibilita reformular a oferta de soluções financeiras de empresas externas ao setor financeiro.

Isso pode resultar em ganhos de eficiência com estrutura financeira própria e parcerias com instituições financeiras e de pagamento.

4. Novos produtos e serviços: A segurança da plataforma permite que novas ofertas de investimentos, seguros e outros serviços sejam desenvolvidas com menor custo e maior personalização.

 

Desafios que o Drex traz para os negócios

A adoção do Drex como forma de transação no varejo traz alguns obstáculos inerentes, que precisam ser endereçados, para que os benefícios de agilidade e segurança possam ser capturados.

1. Infraestrutura e tecnologia: Para viabilizar as transações com o Drex, é necessário rever as integrações das empresas com os meios de pagamentos, do ponto de venda à contabilização final.

2. Segurança cibernética: É essencial proteger dados de clientes e ativos contra roubos e ataques cibernéticos, de forma que compradores, vendedores e a credibilidade da inovação disponham de plataforma segura, através de trabalho conjunto entre empresas, instituições e BC.

3. Investimentos: As exigências de adequação dos negócios ao Drex podem ser complexas e onerosas, sob aspectos legais, regulatórios, sistêmicos, processuais e de recursos humanos. Portanto, é necessário avaliar cenários e parâmetros econômicos de viabilidade para implantação.

O lançamento do Drex trará uma série de oportunidades para a criação de novas alavancas de valor nas empresas, com potencial inovador para impactar significativamente o mercado financeiro nos próximos anos.

Nesse contexto, é fundamental adotar uma abordagem consistente, do planejamento à adoção do ativo digital, para gerar diferenciais competitivos relevantes e extrair valor na cadeia.

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