A integridade dos controles internos e a transparência das informações financeiras consolidaram-se como os principais termômetros de credibilidade no mercado atual. O pilar de governança (“G”) do ESG deixou de ser uma formalidade para se tornar a variável mais determinante na sustentabilidade financeira e no valuation das companhias.
Episódios recentes envolvendo grandes players, como Ambipar e Grupo Mateus, ilustram como fragilidades na gestão de riscos e inconsistências de reporte provocam reprecificação imediata de ativos e volatilidade acentuada.
Aprofundando essa discussão estratégica, o tema foi destaque na Investing em artigo escrito por Guilherme Sales, Executive Director da Peers Consulting + Technology. Na publicação, reforçamos que a governança sólida atua como mecanismo de proteção patrimonial e vantagem competitiva.
A exigência por dados auditáveis e coerência entre discurso e prática nunca foi tão alta por parte de investidores institucionais e órgãos reguladores, transformando a governança no alicerce real de qualquer estratégia de crescimento sustentável.
Leia a cobertura da matéria na íntegra na Investing.
A seguir, apresentamos a análise detalhada sobre como estruturar processos robustos e tecnologias de monitoramento contínuo para fortalecer a governança corporativa.
Governança em Xeque: Como falhas de controles redefiniram a percepção de risco no mercado
Nos últimos anos, o mercado brasileiro assistiu a episódios que recolocaram a governança corporativa no centro do debate. Entre eles, os casos envolvendo Ambipar e Grupo Mateus se destacaram não apenas pela repercussão imediata, mas também pelo efeito direto sobre confiança, valor de mercado e percepção de risco. Esses acontecimentos, amplamente discutidos em domínio público, reforçam um ponto essencial: o pilar “G” do ESG, muitas vezes negligenciado, tornou-se a variável mais determinante para a sustentabilidade financeira de longo prazo.
Para investidores institucionais, analistas e conselheiros, a governança já era um pilar fundamental. No entanto, o ambiente atual exige um escrutínio ainda maior sobre como as empresas a praticam na realidade. Em um cenário em que dados circulam com enorme velocidade, expectativas são ampliadas e a regulação ganha rigor. Fragilidades em controles e compliance podem destruir valor em poucos dias, enquanto a construção de reputação continua sendo gradual e dependente de consistência.
Sem entrar em acusações ou interpretações fora do domínio público, os casos de Ambipar e Grupo Mateus ilustram como gaps de transparência, incoerências de informação e falhas de alinhamento interno podem gerar ruídos significativos. No caso Ambipar, revisões de demonstrações financeiras, classificações contábeis e níveis de alavancagem suscitaram dúvidas relevantes sobre consistência e governança. No Grupo Mateus, divergências internas de reporte e comunicação ao mercado mostraram como desalinhamentos entre operação, finanças e governança criam incertezas que corroem a credibilidade.
Embora distintos entre si, ambos os episódios revelam um mesmo padrão: fragilidades de governança costumam resultar em reprecificação imediata, volatilidade acentuada e questionamentos sobre a capacidade da companhia de mitigar riscos estruturais. Para empresas listadas, esses impactos surgem simultaneamente em três dimensões:
- No risco reputacional, percepções negativas reduzem confiança e elevam a sensibilidade do mercado;
- No risco regulatório, aumenta a exposição à fiscalização de órgãos como a CVM e auditorias independentes;
- No risco financeiro, revisões contábeis, provisões adicionais, ajustes retroativos e potenciais impairments pressionam resultados, indicadores de dívida e valuation. Uma vez que a governança falha, desencadeia-se um efeito dominó difícil de conter.
A governança como alicerce do ESG
Muito se discute sobre sustentabilidade ambiental (E) e responsabilidade social (S). Entretanto, o vetor que sustenta ambos é a governança. Sem controles robustos, dados íntegros, políticas claras e mecanismos de supervisão, não existe ESG; existe apenas narrativa. Esse movimento reforça princípios amplamente defendidos pelo Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) e adotados por investidores institucionais.
Investidores globais já assimilaram essa realidade. Fundos institucionais internacionais tratam o pilar G como principal critério de elegibilidade para investimentos de longo prazo, justamente por ser o único pilar plenamente auditável e mensurável. No Brasil, a CVM tem sido cada vez mais rigorosa ao exigir transparência, consistência das políticas internas e coerência entre discurso e prática. Esse movimento não apenas reduz assimetrias de informação, como também aumenta a resiliência das companhias frente a eventos adversos.
A forma que falhas de controles e compliance impactam o valor da empresa

A governança não é um conceito abstrato; trata-se de uma disciplina financeira prática. Falhas de controle abrem espaço para erros e, em casos extremos, para fraudes. Dados recentes deixam isso evidente. Segundo o 2024 Global Fraud Survey, da Association of Certified Fraud Examiners (ACFE), mais da metade das fraudes ocupacionais ocorre devido à ausência ou fragilidade de controles internos. Do total avaliado, 32% resultam da inexistência de controles e 19% acontecem quando os controles existem, mas são ignorados ou contornados.
Essas vulnerabilidades têm impactos diretos. Quando os controles internos se deterioram, o custo de capital naturalmente aumenta porque a percepção de risco cresce. O guidance perde credibilidade, levando analistas a questionarem previsibilidade e a qualidade das projeções. A companhia também se torna mais suscetível a revisões contábeis, como impairments, provisões adicionais e reclassificações.
Além disso, surgem impactos de caixa decorrentes de recomposição de saldos e ajustes retroativos. No conjunto, esses efeitos influenciam o valuation e explicam por que a governança é, cada vez mais, tratada como mecanismo de proteção patrimonial para acionistas, credores e demais stakeholders.
O que as empresas podem fazer para fortalecer a governança?
Empresas maduras não esperam crises; elas atuam preventivamente, estruturando modelos de governança que combinam processos consistentes, tecnologia confiável e cultura de integridade. Quando esses elementos evoluem de forma coordenada, a governança deixa de ser defensiva e passa a impulsionar performance, transparência e credibilidade, sendo assim, temos 3 pilares importantes para fortalecimento da estrutura corporativa:
1. Revisão profunda de processos e controles Governança moderna exige mais do que políticas formais. Requer controles aplicáveis, testados continuamente e sustentados por uma visão integrada de riscos. Isso envolve redesenhar fluxos financeiros de ponta a ponta, as empresas podem se apoiar em referências consolidadas como o framework COSO, que orienta a estruturação de controles internos e a gestão de riscos, e em legislações como a SOX, que reforçam a necessidade de transparência, rastreabilidade e responsabilidade executiva sobre a qualidade das informações financeiras.
Também inclui segregação de funções, workflows de aprovação revisados periodicamente e estruturas de responsabilização claras, reduzindo dependência de interpretações individuais e minimizando oportunidades de erro ou fraude. Empresas avançadas tratam controles como um processo contínuo, revisitando riscos emergentes e incorporando auditoria interna já na fase de desenho.
2.Sistemas e tecnologia para detecção de problemas O avanço das soluções de governança permitiu que as empresas migrassem do modelo reativo de amostragem manual para um modelo formato de monitoramento contínuo. Estudos recentes do Gartner reforçam esse movimento, mostrando que automação e governança de dados reduzem riscos estruturais. Auditoria contínua, modelos preditivos de anomalias e automação de conciliações aceleram a detecção de desvios e reduzem a materialidade de perdas.
Além disso, tecnologias como Inteligência Artificial e RPA ampliam a capacidade de identificar padrões atípicos, automatizar rotinas críticas e fortalecer controles preventivos. Ferramentas de CPM (Corporate Performance Management) também contribuem ao consolidar dados, padronizar o reporting e garantir maior consistência nas análises financeiras e gerenciais. Paralelamente, plataformas de data governance asseguram integridade, rastreabilidade e tempestividade das informações, enquanto integrações entre áreas financeira, fiscal e operacional eliminam zonas cinzentas historicamente associadas a fraudes. É importante destacar que toda essa jornada tecnológica só produz resultados quando construída sobre dados acessíveis, estruturados e confiáveis.
3. Estrutura robusta de compliance e canais de denúncia O terceiro pilar é a construção de uma cultura de integridade apoiada por uma estrutura sólida de compliance. Reguladores e investidores já compreendem que canais de denúncia, mecanismos de integridade e programas de compliance são indicadores diretos de maturidade organizacional.
Empresas de alta performance possuem compliance conectado à operação, atuam com base em riscos reais e investem em treinamentos contínuos, adaptados às funções críticas. Cultura não substitui controles, mas, sem cultura, até o melhor sistema de controles se torna vulnerável.
A nova fronteira da confiança corporativa
Os eventos recentes do mercado brasileiro reforçam uma verdade incontornável: governança sólida não é apenas desejável, mas essencial. Em um ambiente em que a velocidade da informação é elevada e a tolerância a erros é mínima, empresas com estruturas frágeis de controle têm dificuldade para sustentar confiança. Ambipar e Grupo Mateus demonstram que inconsistências de reporte, desalinhamentos internos e falhas de compliance não são ruídos operacionais.
Na prática, representam sinais de fragilidade que rapidamente se traduzem em reprecificação, revisões externas e questionamentos profundos sobre a credibilidade da gestão.
Ao mesmo tempo, esses casos mostram que a governança não é um fim isolado. Ela funciona como mecanismo de preservação de valor e de enfrentamento de riscos estruturais. Organizações que investem em processos sólidos, dados confiáveis, monitoramento contínuo e cultura de integridade constroem uma vantagem competitiva silenciosa, porém poderosa: conseguem navegar ciclos adversos com mais previsibilidade e menor volatilidade
O mercado tem sido consistente em sua mensagem. Investidores premiam empresas que tratam governança como disciplina e não como formalidade de compliance. O “G” não apenas sustenta os pilares ambiental e social do ESG; ele sustenta o próprio modelo de negócios. Em um ambiente regulatório e operacional cada vez mais complexo, governança forte deixou de ser diferencial e passou a ser o ponto de partida para competir, crescer e manter a confiança do mercado, dos acionistas e da sociedade.
Perguntas Frequentes (FAQ)
Como a Peers pode ajudar?
A Peers Consulting + Technology apoia empresas e organizações ao longo de toda a jornada, da definição da estratégia até o desenho e a implementação, com soluções especializadas que integram negócios e tecnologia, impulsionando eficiência, crescimento, transformação e conformidade regulatória.
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Como a Peers evita que minha empresa perca valor de mercado por falhas de controle?
Atuamos na raiz do problema: redesenhamos processos para garantir que seus dados financeiros sejam auditáveis e seguros. Transformamos a governança em proteção patrimonial, evitando reprecificação e crises de confiança.
Vocês apenas desenham os processos ou implementam a tecnologia?
Implementamos soluções de monitoramento contínuo (IA e RPA) para que sua empresa saia da amostragem manual e consiga detectar riscos de forma preventiva.
Já tenho área de Compliance, mas os riscos continuam. Como a Peers resolve?
Muitas vezes o problema é a execução. Nós integramos as áreas (Financeiro, Fiscal e Operações) para eliminar “zonas cinzentas”. Garantimos que a cultura de integridade saia do manual e seja praticada na rotina operacional.
Por onde começar?
Pelo diagnóstico de maturidade. Identificamos os gaps críticos entre seus controles atuais e a exigência do mercado, traçando um plano prático para alinhar processos, tecnologia e pessoas.
