Gartner Product Leadership Conference 2026: os insights que estão redefinindo estratégia, produto e inteligência artificial

O Gartner Product Leadership Conference 2026 reforçou que a inteligência artificial deixou a experimentação para se tornar o núcleo da geração de valor e integração sistêmica nos negócios. Descubra os insights essenciais para escalar essa transformação com consistência e governança.

A inteligência artificial já ultrapassou a fase de experimentação. O que está em jogo agora não é mais a adoção, mas a capacidade de gerar valor real, com escala, governança e integração ao negócio.

Essa foi a principal mensagem consolidada no Gartner Product Leadership Conference 2026, realizado no Texas em março.

Ao longo de dois dias, o evento reforçou uma mudança estrutural: a IA deixa de ser uma camada tecnológica isolada e passa a operar como elemento central na tomada de decisão, na integração de sistemas e na captura de valor.

A presença de Everton Amorim, Managing Director da Peers, trouxe uma leitura direta do que está avançando nas empresas globais e, principalmente, do que ainda impede a transformação em escala.

O que é o Gartner Product Leadership Conference e por que ele importa?

O evento do Gartner reúne líderes globais de produto, tecnologia e estratégia para discutir os movimentos que vão definir a próxima geração de empresas.

Mais do que tendências, o conteúdo apresentado aponta para mudanças já em curso, com impacto direto em modelos operacionais, decisões de investimento e posicionamento competitivo.

Em 2026, o foco foi claro: entender como a inteligência artificial está redefinindo a lógica de crescimento das organizações.

Intelligence Supercycle: a IA passa a ser o negócio

Um dos principais conceitos discutidos foi o Intelligence Supercycle.

A inteligência artificial deixa de habilitar o negócio e passa a ser parte central dele.

Ao mesmo tempo, um dado chama atenção: apenas cerca de 20% das iniciativas de IA geram retorno mensurável.

Esse cenário reforça um ponto crítico. O desafio não está na tecnologia, mas na forma como ela é aplicada.

Esse mesmo padrão já aparece na prática. No artigo “Estratégia de dados“, fica evidente como a ausência de uma base estruturada impede que iniciativas avancem para escala e captura de valor.

O verdadeiro gap: transformar IA em valor

A maioria das empresas já iniciou sua jornada com IA. O que ainda falta é transformar essa adoção em impacto concreto.

O evento destacou uma diferença clara entre testar soluções e operar com IA integrada ao negócio.

Sem conexão com estratégia, dados estruturados e governança, a tecnologia permanece restrita a iniciativas isoladas.

Esse desafio aparece com frequência em projetos de transformação mais amplos, como no case de Transformation Office, onde a coordenação entre múltiplas frentes é essencial para sair da experimentação e avançar com consistência.

IA como camada de integração das empresas

Outro ponto central foi a evolução da IA como elemento de integração.

Sistemas corporativos continuam operando de forma fragmentada. A IA passa a conectar dados, processos e decisões, funcionando como uma camada transversal às operações.

Essa mudança redefine a arquitetura das empresas e o papel da tecnologia no dia a dia.

 

A nova lógica competitiva: ecossistemas ganham protagonismo 

A inteligência artificial está provocando convergência entre mercados.

Empresas de tecnologia, consultorias, plataformas e startups passam a competir dentro do mesmo espaço.

Nesse contexto, nenhum fornecedor entrega valor sozinho.

O diferencial passa a ser a capacidade de operar em ecossistemas complexos, integrando múltiplas tecnologias e parceiros.

Metodologia se torna o principal diferencial

Outro insight relevante é a mudança no fator de diferenciação.

Ter acesso à tecnologia deixou de ser vantagem competitiva.

O que passa a diferenciar empresas é a capacidade de estruturar e escalar a entrega de valor.

O modelo evolui para ciclos contínuos de desenvolvimento e melhoria, conectando estratégia, execução e aprendizado.

Esse tipo de impacto é visível em revisões estruturais de processos, como no case de Order to Cash por ofertas, onde mudanças no modelo operacional influenciam diretamente a captura de receita.

O fim do modelo baseado em volume de pessoas 

O evento também reforçou a transformação no mercado de serviços.

Modelos baseados em volume de pessoas e horas faturáveis perdem relevância.

A tendência é a migração para contratos baseados em resultado, com foco direto em impacto de negócio.

Esse movimento já aparece em diferentes setores e tende a se consolidar globalmente.

O novo modelo de talentos na era da IA

A transformação também impacta diretamente as organizações.

A meia vida das habilidades tecnológicas está diminuindo rapidamente, exigindo aprendizado contínuo.

Novos papéis surgem, combinando conhecimento técnico e domínio de negócio.

As estruturas evoluem para equipes menores, mais especializadas e apoiadas por IA.

Product experience como diferencial competitivo 

Outro ponto relevante foi a mudança na forma como produtos são avaliados.

A decisão deixa de ser baseada apenas em funcionalidades e passa a considerar a experiência e o valor percebido.

Ambientes interativos, testes e provas de valor reduzem fricção e aceleram o processo de decisão.

Speed to value como critério principal

Um dos critérios mais citados ao longo do evento foi velocidade na geração de valor.

Empresas priorizam iniciativas que entregam resultado em ciclos mais curtos, muitas vezes entre três e seis meses.

Isso redefine a forma como projetos são estruturados e priorizados.

A convergência entre físico e digital

Outro vetor importante é a integração entre produtos físicos e digitais.

Tecnologias como IoT, simulação inteligente e digital twins ampliam a capacidade de prever cenários, otimizar operações e criar novas fontes de receita.

Essa evolução depende diretamente da qualidade dos dados e da automação dos processos, como mostra o case de Automação e gestão orçamentária, onde a melhoria da base de dados é o ponto de partida para decisões mais eficientes.

O que muda na prática e próximos passos

Os insights do evento apontam para uma transformação clara:

  • A IA passa a atuar como infraestrutura de decisão
  • O valor se torna o principal critério de investimento
  • Ecossistemas substituem modelos isolados
  • Velocidade passa a definir competitividade

Empresas que não avançarem além da experimentação tendem a perder espaço em um cenário cada vez mais orientado por inteligência.

Fale com a Peers

Se a sua empresa já iniciou iniciativas em IA, mas ainda enfrenta dificuldade para gerar valor em escala, fale com um de nossos consultores para aprofundar a discussão com quem está conectando estratégia, tecnologia e execução na prática.

SOBRE OS AUTORES

Everton Amorim
Everton Amorim
Managing Director
✉ everton.amorim@peers.com.br