Publicado originalmente Valor Econômico
Entre as principais aplicações da tecnologia estão setores como TI (57%), atendimento ao cliente (52%), operações (50%) e marketing e vendas (47%)
Inteligência artificial generativa (IA Gen) é um tema comum nas rodas de executivos, entretanto, a adoção da tecnologia pelas empresas ainda está longe de ser ampla. A pesquisa “IA Generativa no Brasil: o que diferencia a experimentação de transformação”, publicada pela MIT Technology Review Brasil em parceria com a Peers Consulting + Technology, aponta que apenas 17,7% das companhias estão plenamente preparadas no que se refere a essa inovação, com orçamento destinado para essas iniciativas. Outras 30,5% dizem que estão parcialmente prontas.
O estudo, obtido com exclusividade pelo Valor, ouviu 322 empresas brasileiras de diversos setores, como varejo, indústria, serviços financeiros, educação e energia, entre julho e agosto deste ano.
Segundo os respondentes, as áreas em que a IA Gen são mais aplicadas são tecnologia da informação (57%), atendimento ao cliente (52%), operações (50%) e marketing e vendas (47%). Por outro lado, áreas de suporte, como por exemplo, RH, jurídico e finanças, aparecem em segundo plano na jornada de adoção.
“Com esses números, conseguimos observar que mais de um terço das empresas ainda enfrentam lacunas relevantes na definição de recursos financeiros específicos para a tecnologia. Esse dado indica que, embora haja uma movimentação em direção à priorização de investimentos, a alocação orçamentária permanece desigual e insuficiente em muitos casos”, afirma o gerente sênior de ciência de dados e inteligência artificial da Peers Consulting + Technology, Bruno Horta.
Além da falta de recursos, os custos de infraestrutura computacional, a resistência cultural e a dificuldade de integração com sistemas legados fazem parte dos obstáculos para a adoção da IA Gen nas empresas brasileiras.
Mas há, sem dúvidas, motivos para investir na adoção das ferramentas. Os principais são o interesse no ganho de produtividade (79% das respostas), a inovação de produtos/serviços (55%) e a redução de custos operacionais (48%).
Nas organizações que adotaram IA Gen, os principais resultados, de acordo com a pesquisa, foram a redução de custos em áreas-piloto e o aumento de produtividade (com 51,8%); lançamento de novos produtos, serviços baseados em IA (39,3%); e elevação da satisfação do cliente (34,8%). Isso sinaliza que parte das empresas já começa a expandir o foco da eficiência para a criação de valor diretamente vinculada à estratégia de negócio. No entanto, chama atenção que 27,7% dos respondentes afirmam ainda “não ter resultados mensuráveis”.
Em todo o mundo, os investimentos corporativos em IA, incluindo a IA Gen, já ultrapassaram a marca de US$ 30 bilhões, mas a maior parte ainda não se traduzem em resultados concretos. De acordo com o relatório “GenAI Divide: State of AI in Business 2025”, produzido pelo MIT NANDA, cerca de 95% dos projetos de IA Gen ainda não apresentam impacto mensurável nos resultados financeiros das empresas.