Em 7 de maio de 2026, a Peers Consulting + Technology, o CSCMP Roundtable Brazil e a GAM Tax reuniram líderes de supply chain para discutir os impactos práticos da Reforma Tributária nas operações. O encontro deixou uma conclusão clara: a reforma não é um projeto fiscal. É uma reorganização da lógica de decisão em compras, logística e estoque ao mesmo tempo.
O ponto que Sales enfatizou é que o crédito tributário deixou de ser garantido no momento da compra. Ele passa a depender da conformidade do fornecedor, verificada em tempo real pela Receita Federal integrada aos sistemas ERP, TMS e WMS. Um erro do parceiro na emissão da nota e o crédito simplesmente não vem. Para aprofundar a lógica de como recuperar e proteger esses créditos dentro da nova sistemática, vale a leitura sobre recuperação de crédito tributário e otimização do fluxo de caixa."Antigamente, a decisão era baseada em arbitragem fiscal. Agora é baseada em custo total posto certo. Você precisa olhar o custo de obra, serviço e operação inteira. Estrutura que não reflete eficiência operacional passa a ser complexidade sem vantagem competitiva", afirmou Guilherme Sales, Executive Director da Peers Consulting + Technology.
Paes também destacou que a integração entre áreas historicamente isoladas, supply chain, fiscal e financeira, deixa de ser uma recomendação de boas práticas e passa a ser uma condição operacional. Empresas que mantiverem esses departamentos operando em silos vão descobrir isso pela conta de resultados, não por um diagnóstico preventivo."O fiscal vai ter que trabalhar com o pessoal de TI de forma contínua, analisando os campos que estão chegando, porque um erro de parametrização hoje causa impacto direto na cadeia inteira", disse Luciane Paes, Tax Manager da GAM Tax.
Terra também trouxe a experiência da Peers com o fim da substituição tributária em São Paulo para o setor de cosméticos, que serviu de laboratório do que a reforma vai universalizar. A principal lição foi sincronizar sistemas, operações e fornecedores antes da virada. O artigo sobre o impacto do fim da guerra fiscal no polo de Extrema aprofunda como esse movimento já está redesenhando a logística do e-commerce."Acreditamos que ficará muito mais desafiador para o broker continuar nesse segmento. O benefício dele vai ser simplesmente a parte operacional de emissão de documentos, que talvez não justifique pagar entre 7% e 10% a mais no valor", afirmou Pedro Terra, Consultor de Supply Chain da Peers Consulting + Technology.
"O Sintonia vai funcionar como um score fiscal do fornecedor. O time de Procurement vai começar a exigir esse score para tomar a decisão de contratar e garantir a eficiência real da cadeia. Não é mais só preço. É regime, é conformidade, é risco", afirmou Marcelo Ikaro, Executive Director da Peers Consulting + Technology.
Como a Peers pode ajudar minha operação a se preparar para a Reforma Tributária?
Do ponto de vista financeiro, a equipe de Finance da Peers atua na estruturação da governança de caixa, revisão de contratos com fornecedores e modelagem do impacto tributário. A reforma exige uma visão integrada que vai além do fiscal, e a Peers tem frentes dedicadas para cada dimensão desse processo.
O que muda na prática para o time de Compras com a Reforma Tributária?
A análise de fornecedores precisará incluir o regime tributário de cada um e o crédito que ele gera. Uma planilha de cotação que não considera o crédito tributário deixa de ser uma ferramenta confiável de decisão. O time de Procurement precisará trabalhar com o fiscal para recalibrar os critérios de avaliação antes da virada do sistema.
O que é o programa Sintonia e por que o Procurement precisa saber disso agora?
O Sintonia é uma iniciativa do governo federal lançada em meados de 2025 que cria um score de conformidade fiscal para empresas, funcionando como um Serasa com viés tributário. Times de Procurement de grandes compradores devem começar a exigir esse score nos processos de contratação como critério de risco, da mesma forma que o Serasa é exigido em processos financeiros.
O fim da substituição tributária em São Paulo já afeta minha operação agora?
Sim. São Paulo e Rio Grande do Sul já removeram a substituição tributária de categorias como cosméticos. Empresas que vendem para esses estados precisam revisar a precificação por elo da cadeia e garantir que os sistemas estejam emitindo notas no modelo correto. O que os estados estão fazendo agora é uma antecipação do modelo que a reforma vai universalizar.