Etanol a R$ 2.400/m³: o que safra recorde, regulação e geopolítica dizem sobre os preços nos próximos meses
O preço da gasolina subiu 5,4% desde o início dos conflitos no Oriente Médio enquanto o etanol caiu 11% em média no Brasil. Com safra projetada em recorde histórico de 709,1 milhões de toneladas e potencial elevação da mistura obrigatória para 32%, o mercado de etanol enfrenta forças simultâneas de oferta e demanda que apontam para estabilidade de preços, com janela favorável para gestores de supply chain estruturarem contratos de abastecimento agora.
Desde que o conflito com o Irã se deflagrou, os dois combustíveis seguiram direções opostas. A gasolina subiu 5,4% e o etanol caiu 11% em média no Brasil, levando o índice relativo a 60-65% nas principais praças, abaixo da paridade energética de 68-70%.
Para empresas com frotas flex, esse diferencial representa redução direta de custo operacional. Com 40 milhões de veículos flex em circulação no país, cerca de 85% da frota leve, a decisão de abastecimento tem impacto mensurável no custo por quilômetro rodado. Gestores que não revisaram a política de abastecimento nos últimos meses estão potencialmente deixando margem na mesa.
A questão estratégica para o planejamento corporativo é saber por quanto tempo esse diferencial se sustenta, o que depende das forças de oferta, demanda e regulação analisadas nas próximas seções.
Em análise publicada no Investing.com, Edson Kawabata, Managing Director da Peers Consulting + Technology, aponta o que esses movimentos sinalizam para gestores de supply chain e empresas com exposição a custos de combustível.
A projeção da safra 2026/2027 sinaliza volume recorde de 709,1 milhões de toneladas, sobre área de 9,1 milhões de hectares e produtividade de 77,8 ton/ha. A produção total de etanol deve chegar a 40,7 bilhões de litros, crescimento de 8,5% em relação ao ano anterior.
A proporção de etanol no mix açúcar/etanol deve se elevar de 49% para 52% nesta safra, pela maior liquidez e rentabilidade do combustível em relação ao açúcar no momento atual. Usinas têm flexibilidade para ajustar esse mix, e o sinal de mercado aponta para priorização do etanol.
Do ponto de vista do planejamento de custos, o período de alta moagem entre maio e novembro tende a manter os estoques elevados e os preços sob pressão descendente. Empresas que travam contratos de abastecimento nesse período capturam condições mais favoráveis do que as que negociam na entressafra.
O percentual de etanol misturado à gasolina está em 30% desde agosto de 2025. Uma elevação para 32% adicionaria mais de 1 bilhão de litros de demanda ao ano, segundo estimativa da UNICA, compensando parte do aumento de oferta da safra recorde.
Esse movimento vai em linha com as diretrizes da Lei 14.993/2024, a Lei do Combustível do Futuro, que prevê mistura progressiva podendo chegar ao E35. Para empresas que consomem gasolina aditivada com etanol, o impacto das mudanças regulatórias no planejamento de custos operacionais precisa estar modelado nos cenários de abastecimento.
O timing da decisão regulatória é o principal fator de incerteza para o segundo semestre. Se a elevação para 32% ocorrer antes do fim da safra, o excesso de oferta amortece o efeito sobre preços. Se ocorrer depois, pode pressionar as cotações no período de entressafra.
| Mercado | Preço em junho 2026 | Perspectiva final do ano | Implicação para gestores |
|---|---|---|---|
| Etanol hidratado (BM&F) | R$ 2.400/m³ | Estabilidade | Janela favorável para travar contratos |
| Etanol (Bolsa de Chicago) | US$ 1,88/galão | Leve alta até US$ 2,00 | Pressão moderada sobre importadores |
Fonte: Edson Kawabata, Managing Director da Peers Consulting + Technology, análise publicada no Investing.com.
Para uma empresa com frota de 500 veículos rodando 3.000 km mensais cada, estabilidade de R$ 2.400/m³ significa previsibilidade no orçamento de combustível de aproximadamente R$ 1,8 milhão por mês. Esse cenário favorece o travamento de contratos de fornecimento agora, antes de qualquer movimento regulatório que pressione as cotações no segundo semestre.
O mercado global de etanol está projetado em US$ 180 bilhões com crescimento anual de 5,8%, e as exportações brasileiras de 2 bilhões de litros em 2026 representam menos de 5% da produção, sem afetar o equilíbrio doméstico.
Empresas com alta exposição a custos de combustível têm uma janela favorável para estruturar contratos de abastecimento com previsibilidade. A área de Supply Chain da Peers apoia no mapeamento de riscos e na estruturação de estratégias que absorvam variações de commodities sem comprometer o planejamento operacional. Conheça nossas soluções em peers.com.br/como-fazemos/supply-chain/
Como a Peers pode ajudar?
A Peers apoia empresas com alta exposição a custos de combustível no mapeamento de riscos de mercado, estruturação de estratégias de abastecimento e otimização de supply chain para absorver variações de commodities como o etanol. Conheça nossas soluções em peers.com.br/como-fazemos/supply-chain/
O etanol vai ficar mais caro ou mais barato nos próximos meses?
A perspectiva é de estabilidade. A safra recorde pressiona os preços para baixo, mas a possível elevação da mistura obrigatória para 32% pode compensar esse movimento. Contratos futuros sinalizam estabilidade próxima a R$ 2.400/m³ até o final do ano.
Quando é o melhor momento para travar contratos de fornecimento de etanol?
Durante o período de alta moagem entre maio e novembro, quando os estoques estão elevados e os preços tendem a ser menores. Uma eventual decisão regulatória de elevação da mistura para 32% pode pressionar as cotações na entressafra.
O que é paridade energética entre etanol e gasolina?
É o percentual a partir do qual o etanol se torna financeiramente equivalente à gasolina em termos de custo por quilômetro rodado. Quando o etanol custa menos de 68-70% do preço da gasolina, abastecer com etanol é mais barato para veículos flex.
Como a Lei do Combustível do Futuro impacta o planejamento de custos das empresas?
A Lei 14.993/2024 prevê elevação progressiva da mistura de etanol à gasolina, podendo chegar ao E35. A elevação imediata de 30% para 32% já adicionaria mais de 1 bilhão de litros de demanda ao ano, com potencial de pressionar preços na entressafra se implementada após o período de safra.