Visões ESG: explicando a letra S

Peers Consulting & Technology

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Tempo de leitura 9 minutos

Categoria Sustentabilidade

Paulo Morais, Principal da Peers, participou do episódio #006 da série Visões ESG da BandNews FM. 

Neste episódio, foi discutida a importância da letra “S” em ESG (Environmental, Social, and Governance) e como práticas sociais podem beneficiar comunidades, reduzindo desigualdades socioeconômicas e promovendo o desenvolvimento social e econômico.

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Assista ao podcast completo e descubra como transformar desafios sociais em oportunidades para um crescimento mais inclusivo e sustentável!

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Transcrição

Entrevistador: Olá seja bem-vindo bem-vinda a mais um episódio do podcast Visões ESG aqui na Band News FM. A gente está em três etapas desmembrando um pouco a sopinha de letrinhas, o ESG. Hoje chegou a vez de falar do S, o social. Se você perdeu o que significa a letra E, pode voltar o episódio anterior. E para conversar com a gente temos um convidado especial, é o Paulo Morais, Diretor e Líder das Práticas Experimentais e Eficiência da Peers Consulting & Technology, que vai trazer um pouco pra gente hoje da letra S. Então fique ligado porque o Visões ESG já está no ar.

Entrevistador: Paulo tudo bem? Bem-vindo mais uma vez ao Visões ESG.  

Paulo Morais: Olá Marcos, muito prazer estar aqui novamente, obrigado novamente pelo convite, estamos juntos.  

Entrevistador: Vamos lá Paulo, falamos da parte ambiental na semana passada e agora vamos pra parte social. E aí envolve muita coisa né? A gente tem por exemplo a questão da pobreza, a gente tem a igualdade de gênero, de raça, enfim, por onde você quer começar explicando um pouco pra gente o que que significa a letra S?  

Paulo Morais: Vamos lá. Quando a gente fala da letra S que é do ESG a parte social, normalmente nós estamos falando de como as empresas ou as instituições elas podem trabalhar junto as comunidades e a sociedade para minimizar e reduzir as disparidades socioeconômicas dessas áreas. E quando a gente fala de disparidade socioeconômica, apesar desse termo ser bastante amplo, a gente tem algumas alavancas que podem ser exploradas dependendo da necessidade e da característica de cada região. Aqui a gente pode explorar como que a gente pode desenvolver melhor a economia dessas comunidades, como a gente pode trazer melhor desenvolvimento social, muitas vezes através da educação dentro dessas regiões ou, consequentemente, como que eu melhoro condições de trabalho e renda, como que eu aumento a diversidade e inclusão das minorias daquela região dentro do ambiente socioeconômico ou, em último caso, dependendo do nível de criticidade e de necessidade de minimizar efeitos drásticos de curto prazo, eu posso partir inclusive para um assistencialismo. Ou seja, são algumas alavancas que normalmente as empresas, as instituições, priorizam de acordo com a necessidade de cada região e os impactos positivos que elas querem gerar naquela população.  

Entrevistador: Paulo, a gente tem muito pelo Brasil grandes empresas, indústrias, que acabam escolhendo áreas rurais primeiro por conta até do tamanho, tem mais espaço para construção, e às vezes até a questão de logística, próxima a rodovias a portos, tudo mais, e às vezes não é uma área nem tão povoada assim, e quando tem pessoas morando lá são pessoas com situação precária. Vamos começar a trazendo um exemplo desse: você constrói em uma área rural. Como é que é feito o pensamento pra sociedade e linkando um pouco, a gente pode até combinar o que a gente falou anteriormente, no episódio anterior do ambiental com o social, a preocupação com o lado social não apenas nessa parte de Direitos Humanos, trazendo um pouco também aos direitos trabalhistas e juntando com o ambiental que eu acho que acaba combinando também com o social nesse sentido. 

Paulo Morais: Legal. Quando uma empresa, ela instala uma operação numa determinada região, apesar de muitas vezes os impactos naquela comunidade não serem analisados de maneira muito profunda antes de instalação, sempre existe o impacto, seja na forma como que aquela comunidade vive, seja na forma de como que aquela comunidade vai se relacionar com aquela nova entidade que está sendo inserida e, consequentemente, como que aquela região como um todo vai se desenvolver, vai se beneficiar com a operação dessa nova empresa. Então, normalmente, essas indústrias, essas novas empresas ou até esses conglomerados, eles precisam entender muito bem quais são as necessidades dessas comunidades e como desenvolver, aproveitar aquela operação para desenvolver tanto economicamente, como socialmente aquela população que é impactada, muitas vezes minimizando os impactos ambientais que aquela operação possa vir a trazer no dia a dia para aquela população. Então, muitas vezes, a gente vê muitas instituições, ONGs ou até institutos das próprias empresas trabalhando no conceito do socioambiental, como que eu, em conjunto com a minimização dos impactos ambientais, eu trago mais desenvolvimento social para aquela comunidade promovendo a parte social como um todo, reduzindo a desigualdade e promovendo todas as políticas sociais de maneira bem ampla e direta dentro daquela região. 

Entrevistador: É o lado social, ele acaba sendo muito amplo, diferente do meio ambiente por exemplo, a gente pode ir pro viés da falta de acesso à educação, a saúde, a serviços básicos e a gente pode ir para a área de refugiados de imigrantes, a gente pode ir para uma outra área, para uma outra esfera, que é da automação dos processos enfim, como o um empresário, como um administrador pensa ao entrar nessa seara do social.  

Paulo Morais: Legal. Acho que o primeiro passo que qualquer empresário ou que qualquer empresa ela precisa entender antes de priorizar qualquer um dos desses temas que você comentou, é saber aquilo que é material para aquela comunidade, ou seja, o que aquela comunidade mais valoriza do ponto de vista e mais necessita do ponto de vista social como você disse: É acesso à saúde? É acesso à educação? É uma condição melhor de trabalho e renda para que eles possam se desenvolver? Ou muitas vezes é um assistencialismo de curto prazo como eu comentei em momentos mais drásticos? Tendo esse entendimento de maneira mais holístico do que é material para aquela comunidade que está inserida no contexto da empresa, você consegue priorizar ações e temas e, consequentemente, prever investimentos de maneira mais assertiva, porque de novo, o tema ele é muito amplo, nenhuma empresa ou empresário vai conseguir fazer tudo de uma vez ou impactar todos os setores, as necessidades de uma vez só, então por isso que o fator de priorização e de entendimento das necessidades é muito importante nessa etapa inicial de planejamento. 

Entrevistador: E aí a gente sai dos desafios e vai para as oportunidades. E aí a abrangência acaba sendo maior ainda. Por onde você quer começar dentro dessas oportunidades? Falar de inclusão social, educação de qualidade, saúde pública, enfim, a própria questão da segurança pública, tem exemplos aqui no Rio de Janeiro de empresas que fecham parceria para criar o programa segurança presente para dar mais segurança para o bairro, enfim, onde você quer começar nessa parte de desafios e oportunidades?  

Paulo Morais: Legal. Aí a gente pode segregar as oportunidades em dois grandes blocos: um bloco que é o que a gente chamado básico bem feito, que muitas vezes aquilo que antigamente era opcional para a empresa fazer, hoje é obrigatório, então elas precisam investir e sanar de maneira prioritária, que aqui basicamente a gente está falando de dois grandes assuntos: primeiro é oferecer uma condição de trabalho e renda que seja suficiente para que a comunidade e as famílias envolvidas nessa operação consigam viver com qualidade, ou seja, isso é mínimo; e também o assunto de diversidade e inclusão, onde a diversidade e inclusão não é mais opcional para as empresas, as empresas precisam direcionar o tema, tanto na operação quanto na liderança dessas empresas. Então a gente vê muitas empresas investindo em diversidade de gênero, em diversidade étnica, racial e diversidade de outras minorias, para trazer essa população para mais próxima para operação dessa empresa e capturar esses diferentes pontos de vista em prol de um objetivo em comum. Isso é o que a gente chama de básico bem feito. Posterior a isso, a gente precisa olhar de maneira mais abrangente as comunidades, do ponto de vista de redução de desigualdade social e econômica, e aqui alavancas como educação, alavancas como melhores condições de trabalho, alavancas como segurança, como saúde, elas são amplamente utilizadas para que a gente possa direcionar esse bem-estar social que a empresa quer e deseja para aquele ambiente onde ela está inserida. Então a gente pode segregar nesses dois grandes blocos conforme eu comentei. 

Entrevistador: Comunidade tem as ações também que as empresas podem promover dentro dessas ações de responsabilidade social, a gente trouxe alguns exemplos aí, mas voltando o que a gente fez no episódio anterior, também pensar nos consumidores e as empresas acabam agindo pensando no consumidor, como é que pode contribuir o consumidor para a empresa ter um pensamento social mais justo e igual.  

Paulo Morais: Acho que o primeiro ponto, da mesma forma que eu comentei no episódio anterior, ali da parte ambiental, que é a mudança de postura e a mudança de consumo. A gente vê que as novas gerações, ela vem com uma preocupação social muito mais apurada do que as gerações anteriores, ou seja, uma empresa socioambientalmente responsável que endereça de maneira verdadeira o tema de sustentabilidade, ela tende a ganhar no longo prazo mais consumidores do que normalmente empresas que não se preocupam ou que não levam esse tema tão a sério. Então essa mudança comportamental dos consumidores vai ajudar as empresas a priorizar melhor as temáticas relacionadas tanto ao tema ambiental como ao tema social e, posteriormente a isso, empresas que investem em desenvolvimento das comunidades não tem o melhor marketing que o boca a boca, ou seja, se você tem a população como defensora e como promotora da sua marca, muito provavelmente você vai ter resultados melhores financeiros na sua operação. Então, consequentemente, esse investimento em desenvolvimento sócio econômico ele se paga no longo prazo e a gente tem alguns cases inclusive dentro de empresas abertas na bolsa de valores que exemplificam que a valorização das ações dessas empresas versus empresas que não investem diretamente, ela tem um upside de valorização bem interessante no longo prazo. 

Entrevistador:  E a gente fala também nessa reta final das políticas públicas, porque afinal não é apenas o lado do consumidor e da empresa que tem que se projetar pro social. As políticas públicas também precisam ser eficazes nesse sentido, e que área agente pode detalhar para promover e essa questão do desenvolvimento social.  

Paulo Morais: Eu acho que a principal área que vem recebendo bastante atenção da iniciativa privada nos últimos anos é a área de educação, que a gente entende, é um consenso entre os especialistas que um desenvolvimento econômico social sustentável no longo prazo, ele passa por ter uma educação robusta e políticas públicas que vem sendo incentivadas em parceria com a iniciativa privada, como é o ensino médio de tempo integral, o ensino profissionalizante tecnológico junto com o Ministério da Educação, isso tende a trazer retornos bastante frutíferos no longo prazo, inclusive com alguns casos de alguns estados como é o caso de Pernambuco e o caso de Ceará que aceleraram a implementação dessas políticas e, consequentemente, vem colhendo frutos bastante significativos do ponto de vista de desenvolvimento social e de aumento de renda dessas famílias que vieram, que são provenientes desse tipo de política pública. Então investir em educação é, como a gente diz no jargão, é ROI certo, tem retorno sobre investimento certo no longo prazo.  

Entrevistador: Paulo Morais, obrigado mais uma vez por você participar do Visões ESG. Hoje trouxemos o lado social, semana passada falamos do ambiental e te aguardo semana que vem pra gente trazer um pouco mais da governança viu.  

Paulo Morais: Obrigado Marcos. Obrigado a todos que nos ouviram até semana que vem. 

Entrevistador: Então é isso. Semana que vem tem mais Visões ESG. Gostou? Dê o joinha no nosso canal do YouTube, também nas plataformas de Podcast estamos disponíveis para você seguir a gente, assim como no YouTube Band News FM Rio. Toda segunda-feira um novo podcast disponível. Visões ESG – investindo no futuro hoje. Tchau  

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