Resultados dos bancos no 2T26 mostram o que está sustentando a rentabilidade
Os resultados dos bancos no 2T26 mostram diferenças relevantes de retorno. Em análise publicada pelo Monitor Mercantil, Tiago Couto, Managing Director da Peers Consulting + Technology, aponta a qualidade dos ativos, com o custo do crédito afetando o setor de forma mais ampla.
O Itaú registrou lucro recorrente de R$ 12,4 bilhões e ROE de 24,3%. O Bradesco alcançou R$ 7,05 bilhões e ROE de 16,2%. No Santander, o lucro recorrente ficou em R$ 3 bilhões e o ROAE em 12,5%.
| Banco | Lucro recorrente | ROE ou ROAE | Carteira a/a | Inadimplência +90 dias |
|---|---|---|---|---|
| Itaú | R$ 12,4 bi | 24,3% | 9,6% | 1,9% |
| Bradesco | R$ 7,05 bi | 16,2% | 11,6% | 4,3% |
| Santander | R$ 3,0 bi | 12,5% | 5,8% | 3,3% |
A rentabilidade bancária está cada vez mais ligada à qualidade do crescimento. Expansão de carteira explica apenas parte do resultado quando provisões, margem e eficiência seguem trajetórias diferentes.
No Santander, a PDD, provisão para perdas esperadas com crédito, chegou a R$ 7,65 bilhões, alta trimestral de 20,6%. No Bradesco, ficou em R$ 10 bilhões, com avanço anual de 22,6%. O Itaú mostra outra dinâmica, com carteira crescendo 9,6% em um ano, enquanto a inadimplência acima de 90 dias permaneceu em 1,9%.
A adequação do mercado à Resolução 4.966 tem trazido efeitos sobre o mercado de crédito em geral, mudando a forma de provisionar inadimplência. Com isso, risco adicional pode consumir mais retorno do que o crescimento consegue gerar.
O mercado tem migrado para qualidade nos últimos semestres. Enquanto Itaú combina crescimento com originação seletiva e aposta no consignado privado, Bradesco mantém expansão enquanto ajusta o apetite ao risco em MPMEs e pessoa física e Santander direciona exposição para imobiliário, cartões e clientes de maior renda.
Três decisões vêm ganhando peso:
Fora do pilar de crédito, ganhos de eficiência operacional em bancos ajudam a reduzir o custo do crescimento, envolvendo iniciativas organizacionais, de processos internos e voltados ao cliente, e transformação tecnológica.
Além do desempenho em crédito, a execução de iniciativas de eficiência também é um fator de diferenciação entre as instituições.
O Itaú apresentou índice de eficiência de 37,3% no semestre, em linha com o mesmo período em 2025, e destacou tecnologia e IA entre suas frentes de produtividade.
Santander e Bradesco avançam na revisão de estruturas. Bradesco tem avançado no plano de recuperação, olhando para processos mais ágeis, com destaque para o desenvolvimento de soluções. Enquanto isso, Santander manteve o crescimento de despesas abaixo da inflação e melhorado seu account load.
A aplicação de IA nos bancos ganha valor quando conectada a decisões com efeito mensurável sobre custo, risco e receita.
Para Tiago, o principal desafio para os bancos agora é normalizar o custo do crédito sem interromper o crescimento. Parte dessa diferença de ROE pode surgir dentro da própria operação: detectar deterioração mais cedo, automatizar decisões e reduzir o custo de servir protege rentabilidade.
Os próximos resultados devem mostrar como cada instituição converte o reposicionamento de carteira em retorno sustentável. Quatro frentes merecem atenção:
Tiago Couto avalia que custo, momento e velocidade da transição ajudam a explicar as diferenças entre as instituições.
Estruturas que ampliam a visibilidade sobre rentabilidade e performance financeira ajudam a identificar onde o capital gera mais retorno e quais alavancas merecem prioridade.
Os resultados dos bancos no 2T26 reforçam que a dispersão de rentabilidade tem relação direta com execução. A vantagem tende a ficar com quem consegue crescer com qualidade, normalizar o custo do crédito e transformar eficiência em retorno.
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