Em coluna para o Canaltech, Marcello Mussi, sócio-diretor da Peers Consulting + Technology, comenta que a pressão por acelerar entregas de tecnologia nunca foi tão intensa, mas o aumento dos riscos nem sempre recebe a mesma atenção.
Mais de 70% das organizações perceberam aumento no risco cibernético, e mais de 40% relataram ataques bem-sucedidos em um único ano, segundo o World Economic Forum. O centro do problema está na forma como as empresas aceleram processos sem fortalecer as bases, tanto quanto na evolução das ameaças.
Esse acúmulo se manifesta em padrões conflitantes, janelas de correção menores e exceções que corroem controles e a capacidade de resposta.
Inteligência artificial, microsserviços, cloud híbrida e APIs abertas trouxeram ganhos reais de escala, mas fragmentaram o controle e expandiram a superfície de ataque. O modelo tradicional de perímetro já não responde sozinho, em seu lugar surge um ecossistema distribuído, com responsabilidade compartilhada entre equipes internas, fornecedores e plataformas.
Segundo a OWASP, falhas em controle de acesso e exposição de APIs estão entre as principais causas de incidentes críticos em aplicações modernas. Cada nova integração adiciona valor, mas também introduz pontos de vulnerabilidade, e sob pressão por entregas, decisões passam a favorecer velocidade às vezes à custa de validações de segurança.
Modelos ágeis descentralizam decisões e aumentam a autonomia dos times. Isso acelera entregas, mas reduz o controle sobre padrões de segurança, e diretrizes passam a ser vistas como barreiras, levando a uma aplicação inconsistente de controles.
A dependência de terceiros amplifica esse desafio: o World Economic Forum aponta que 65% das grandes empresas veem vulnerabilidades na cadeia de suprimentos como principal obstáculo à resiliência. O custo médio global de um incidente ultrapassa 4 milhões de dólares, e em setores digitalizados como o financeiro, integrações de open banking viram porta de entrada para ataques mais amplos.
O risco cibernético já influencia receita, reputação e valor de mercado, muito além da área técnica.
O desafio está em integrar segurança desde a concepção das soluções, adiantando controles que antes só apareciam no final do processo. Os conceitos de security e privacy by design deixam de ser uma recomendação e passam a ser uma necessidade estrutural.
Para a liderança, três perguntas se tornam centrais:
Segundo Marcello Mussi, mais de 60% das vulnerabilidades já exploradas eram conhecidas, mas não corrigidas a tempo, o que mostra que as decisões de priorização feitas sob pressão de prazo pesam mais do que a tecnologia disponível.
A agilidade continuará essencial para competir. Sem uma base sólida, ela vira exatamente o oposto do que busca, um fator de risco. Empresas que tratam segurança como parte do desenho da solução chegam à próxima onda de aceleração com margem para inovar.
Como a Peers pode ajudar?
A Peers apoia empresas na estruturação de práticas de segurança desde a concepção de soluções digitais, conectando velocidade de entrega a controles de risco que não travam a inovação. Conheça nossas soluções.
Acelerar entregas de tecnologia sempre aumenta o risco cibernético?
A aceleração em si costuma ser saudável para o negócio. O risco cresce quando a velocidade avança sem uma base resiliente por trás, com débito técnico acumulado e controles integrados só no final do processo.
O que é security by design e por que ele se tornou necessário?
É a prática de integrar segurança desde a concepção das soluções, o que reduz a corrosão de controles causada por exceções feitas sob pressão de prazo.
Por que a cadeia de suprimentos digital é um risco tão relevante?
Porque a responsabilidade de segurança passa a ser compartilhada entre equipes internas, fornecedores e plataformas, e cada nova integração adiciona valor, mas também um novo ponto de vulnerabilidade.
Como saber se minha empresa está exposta a esse tipo de risco?
Respondendo com honestidade a 3 perguntas: a organização conhece sua superfície de ataque, o risco acumulado é compreendido ou apenas presumido, e a velocidade atual está sustentada por uma base resiliente.