Em análise publicada no portal Investing.com, Jacqueline Barros, Associate Senior Manager na Peers Consulting + Technology, em coautoria com Pedro de Paula, aborda as transformações que podem redefinir o comércio eletrônico no país. Embora o Mercado Livre concentre cerca de 38% das vendas digitais brasileiras, a evolução dos meios de pagamento aponta caminhos promissores para melhorar o relacionamento com o cliente e abrir novas frentes de receita.
A experiência de compra digital dá sinais de que não seguirá apenas o caminho tradicional de pesquisar, encher o carrinho e digitar dados de pagamento. Com o avanço de assistentes virtuais inteligentes, o processo pode se tornar mais intuitivo e contínuo, dividindo-se principalmente em duas frentes:
Comércio conversacional: O consumidor conversa com a IA, explica sua necessidade e recebe recomendações mais aderentes.
Apoio na escolha e compra: Sistemas automatizados passam a comparar características, verificar preços e, com a autorização do usuário, podem até concluir pedidos de forma prática.
Essa mudança indica que as marcas talvez precisem olhar para além da vitrine convencional. Com a inteligência artificial intermediando parte da jornada, tende a ganhar relevância o chamado Share of Decision, ou seja, a capacidade da marca de figurar entre as opções consideradas e recomendadas pelos agentes digitais.
O Brasil apresenta grande potencial nessa transição: levantamentos da EMARKETER mostram que 46% dos adultos no país utilizam inteligência artificial diariamente - contra 32% na média da América Latina -, e 26,5% dos compradores virtuais já recorrem a essas ferramentas para descobrir e avaliar novos produtos. Para que esse modelo funcione bem, o pagamento precisa acontecer quase sem atritos, permitindo transações simples e confiáveis.
Com o aumento da concorrência, cobrar apenas uma comissão por transação processada tende a oferecer margens cada vez mais estreitas. Para continuar crescendo, os participantes do setor têm a chance de atuar como facilitadores de negócios:
Jacqueline Barros, destaca essa perspectiva ao analisar o novo papel do setor:
"O pagamento tende a deixar de ser apenas o encerramento do pedido para funcionar como facilitador de toda a jornada. Em um ambiente onde ferramentas inteligentes sugerem escolhas ao consumidor, os meios de pagamento podem se consolidar como pontes estratégicas para aproximar marcas e clientes, criando relações de longo prazo."
Essa diversificação de soluções é analisada em detalhes neste artigo sobre serviços financeiros integrados e novas formas de monetização.
A geração de novas receitas pode vir da integração entre pagamentos, dados e serviços de valor agregado. Um exemplo relevante está nos anúncios patrocinados dentro das próprias plataformas de venda. A EMARKETER traz que, no Brasil, cerca de 50% dos consumidores virtuais afirmam já ter feito uma compra após visualizar esses anúncios, embora apenas 54% dos anunciantes se considerem plenamente satisfeitos com os retornos obtidos.
Essa lacuna pode ocorrer porque muitas campanhas se baseiam apenas em intenções de busca, sem saber se a compra foi de fato concluída. Quando os dados de pagamento entram na equação, torna-se possível comprovar se a propaganda realmente gerou vendas. Ao integrar facilidades financeiras e formas de pagamento recorrentes, as marcas têm mais chances de reduzir desistências e proteger seus resultados, como observado neste case de transformação digital e integração de meios de pagamento no varejo.
Para construir uma relação duradoura com o cliente, pode ser muito vantajoso reunir as informações de lojas físicas e virtuais em um único ponto de contato. Muitas vezes, a lealdade do consumidor não é definida apenas pelo produto exposto, mas pela facilidade de pagar e pela coerência do atendimento em qualquer canal.
Quando o cliente percebe que seus limites, preferências e histórico de pedidos são reconhecidos tanto no aplicativo quanto no balcão presencial, a experiência tende a ser mais positiva. O uso inteligente dessas informações pode diminuir os custos operacionais e estimular novas compras, conforme abordado neste artigo sobre uso de dados para relacionamento e fidelização. Dessa forma, os meios de pagamento deixam de ser uma cobrança isolada e podem se transformar em uma ponte contínua de conveniência.
Como a Peers pode ajudar empresas no desenvolvimento e integração de meios de pagamento digitais?
A Peers apoia empresas e instituições financeiras na avaliação de novos modelos de receita, integração de soluções de pagamento em canais digitais e unificação de dados da jornada do cliente, conectando tecnologia e estratégia operacional para apoiar o crescimento do negócio. Conheça nossas soluções.
Como o comércio agêntico e a inteligência artificial podem impactar as decisões de compra?
Sistemas baseados em IA tendem a assumir etapas de comparação, escolha e até a finalização do pedido. Com isso, as marcas passam a disputar não apenas a preferência visual do consumidor, mas também a probabilidade de atender aos critérios de seleção dessas tecnologias, tornando o pagamento sem atrito um fator essencial para viabilizar as vendas.
Por que a presença nas recomendações de assistentes virtuais pode ser importante?
Porque muitos consumidores podem começar suas buscas diretamente por meio de assistentes digitais. Estar entre as alternativas sugeridas por esses sistemas tende a influenciar a escolha final de compra.
Qual a vantagem das informações de pagamento para os lojistas?
Ao contrário de simples visitas a um site, o registro de pagamento confirma que a venda realmente aconteceu, o que pode ajudar a calibrar campanhas e entender melhor os hábitos do público.
Como o setor de pagamentos pode apoiar o comércio além de processar vendas?
Oferecendo serviços práticos para a rotina do lojista, como proteção contra fraudes, crédito integrado e relatórios de desempenho que auxiliam na gestão diária.