Excesso de informação e tecnologia: a balança equilibra?

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Categoria Tendências

Avanços tecnológicos e o cansaço generalizado: buscando equilíbrio em meio ao abismo de informação disponível.

 

 

Publicado originalmente em RH PRA VOCÊ

 

Se você nasceu na década de 80/90, ou antes, talvez se lembre do quanto se falava sobre o desafio da disponibilidade da informação. Poucos anos depois, millenials, geração Z e os próprios X e Y se veem sofrendo por consequências derivadas de um cenário bastante diferente: a alta disposição de informação e um esgotamento pelo intenso contato com as telas.

Diversos são os motivos pelos quais o problema anterior de disponibilidade se transformou em uma curva de 180º. Avanços nas ferramentas de busca, aumento de acesso à mídia social e internet, uma abundância em produções de conteúdo e figuras que manifestam sabedoria e captam seguidores são apenas alguns dos fatores que alimentam o grande dilema atual da exaustão por conta da imensidão de informações disponíveis.

Neste contexto, a discussão atual tem girado em torno de como reconhecer a acuracidade de boas fontes e desenvolver capacidade crítica sobre o que é lido, bem como priorizar e organizar o tempo justamente pela demasia de conteúdo e o desafio de “dar conta” de tudo isso.

O resultado? Uma geração exausta.

Nós brasileiros temos um tempo médio gasto com telas de 9,5h por dia, enquanto a média global é de pouco menos de 7h, segundo relatório de janeiro de 2023 pela agência We Are Social em parceria com a Meltwater. Apesar da percepção de que há um problema específico no Brasil, é importante ressaltar que a discussão é global. Inclusive, um experimento de quatro dias de trabalho (já realizado na Islândia, Inglaterra, Canadá, Estados Unidos, Portugal, Espanha, Nova Zelândia e Austrália) iniciou no mês de junho deste ano no Brasil e vai até dezembro.

O tempo das pessoas nas telas se reflete em altos índices de esgotamento pessoal e profissional, contribuindo para insônia, irritabilidade e malefícios para o bem-estar físico e psicológico de pessoas de todas as gerações. Um estudo realizado pela Microsoft relata, com imagens, os efeitos no cérebro e seus desdobramentos em termos hormonais e comportamentais de reuniões incessantes e seguidas por vídeo, e a diferença quando pausas são colocadas. A produção de cortisol, hormônio que compõe a irritabilidade e o stress, é intensificada com o maior uso das telas, além do sedentarismo e de problemas para dormir.

Dado que o uso de telas se faz presente também no tempo pessoal, será que quatro dias por semana de trabalho seriam a solução para a intensidade do contato? O estudo deve contribuir para novos aprendizados, especialmente pelo papel importante que as empresas têm para o bem-estar dos seus colaboradores, mas sem dúvida não é uma solução em si.

Pela neurociência, a felicidade corporativa tem sua composição pela capacidade do cérebro de ativar prazer através de quatro gatilhos:

  • primeiro é compatibilidade com o cargo;
  • O segundo, orgulho institucional;
  • O terceiro, favorabilidade de desempenho; e
  • O quarto, um clima favorável.

Esses quatro gatilhos são acionados o tempo todo na elaboração do trabalho.Essas dimensões, bem como experienciadas, também podem ser medidas e avaliadas através de dimensões de fits culturais em ferramentas oferecidas por empresas de Inteligência Artificial (IA). Assim é possível customizar valores e culturas de cada empresa, procurando oferecer uma melhor experiência para cada colaborador.

Em um momento de pós pandemia, no qual a sociabilidade sem dúvida foi comprometida tanto profissional como pessoalmente, estamos aprendendo a conviver em um novo momento. A existência das telas nos auxilia quanto à disposição de informações para uso pessoal e profissional, mas se há algo que a pandemia nos ensinou é que somos seres únicos: não há dissociação entre o profissional e o pessoal.

Então de nada adianta redução para quatro dias de trabalho se não houver um estímulo aos cuidados com a saúde, sendo sono de qualidade, boa alimentação, prática de exercícios físicos, estímulo à sociabilidade, etc.

Assim como marcamos cafés virtuais para nos conectarmos na pandemia, os novos modelos de trabalho têm esse aprendizado: produtividade com o desafio da informação no home office, e conexão no presencial. O melhor dos dois mundos e com direito aos aprendizados do caminho.

O que precisamos lembrar é muito mais do que isso – será que conseguimos mover para o presencial as outras partes da nossa vida também?

Precisamos voltar a sair, colocar o pé na grama, nas praças e parques, manter consistência nas nossas atividades físicas, disciplina para manter alimentação saudável e horas de sono. Houve uma negligência de aspectos que antes pareciam simples, e são essenciais para o bem-estar.

O trabalho representa uma parcela importante das horas diárias empregadas, mas é imprescindível que todos tomem medidas para moderar nossa exposição a telas também fora das horas de trabalho. A experiência das pessoas deve ser priorizada tanto percebendo a individualidade como aspectos internos que constantemente as impactam, um papel que é das empresas e de cada um dos indivíduos.

Demonstrar a importância das empresas nesta busca é vital, mas não retira a responsabilidade de cada um de voltarmos a priorizar pontos de saúde mental/emocional, social, financeira e física, além da laboral.

 

Por Alexandra D´Azevedo, diretora de gente e recursos humanos da Peers Consulting & Tecnology, e Sérgio Amad, CEO e Fundador da fiter.

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