Em entrevista à SA+, Alexandra Nunes, HR & People Director na Peers Consulting + Technology, comenta que empresas do varejo alimentar não precisam esperar a aprovação definitiva da PEC do fim da escala 6×1 para começar a se preparar. A proposta já foi aprovada em dois turnos na Câmara dos Deputados e caminha para consolidar a escala 5×2 como novo padrão do setor.
A PEC do fim da escala 6x1 prevê transição gradual da jornada de 44 para 40 horas semanais, passando primeiro por 42 horas nos primeiros 60 dias. O texto já foi aprovado em dois turnos na Câmara dos Deputados e segue em tramitação no Senado.
| Fase | Jornada semanal | Prazo |
|---|---|---|
| Fase atual | 44 horas | Vigente |
| Primeiros 60 dias | 42 horas | Transição inicial |
| Até 14 meses | 40 horas | Redução final |
A redução da jornada não altera a necessidade operacional das lojas, o atendimento, a reposição e o recebimento de mercadorias seguem exigindo cobertura nos mesmos horários. O que muda é o tempo que cada colaborador pode estar disponível para atender essa demanda, o que desloca o foco do planejamento para horas de cobertura por horário, mais do que para o número bruto de funcionários.
Redesenhar a escala a partir da curva de demanda de cada loja, considerando custos e pressão de margem, é o que sustenta resultado no médio prazo. Muitas empresas usam o mesmo padrão de equipe entre unidades semelhantes, sem considerar diferenças de fluxo e mix de produtos.
O primeiro passo é um diagnóstico detalhado de cada operação, identificando picos e padrões de consumo. A partir disso, é possível construir escalas mais eficientes, com jornadas parciais, escalas móveis dentro dos limites legais e maior polivalência das equipes. Esse processo de redesenho operacional antes da mudança legislativa é o que separa redes que chegam preparadas das que reagem sob pressão.
Contratar antes de revisar processos cria custo permanente para resolver um problema que a gestão poderia corrigir.
O formato atacarejo sente o desafio de forma mais intensa por operar em períodos mais longos e depender de atividades logísticas em horários específicos, muitas vezes durante a madrugada. Reduzir a jornada sem reduzir a operação significa ter mais pessoas cobrindo o mesmo período de funcionamento, o que impacta diretamente a folha de pagamento.
O modelo ainda é agravado pela multifuncionalidade típica do atacarejo, em que o mesmo colaborador circula entre reposição, atendimento e apoio logístico ao longo do dia. Com jornadas menores, essa distribuição de tarefas precisa ser repensada.
Três falhas se repetem em processos de mudança dessa natureza.
O mesmo erro se repete quando sindicatos entram nas negociações apenas nas etapas finais do processo.
A análise sobre como a liderança intermediária precisa se preparar para o fim da escala 6x1 aprofunda exatamente esse ponto: gestores que recebem a mudança sem preparo prévio comprometem tanto o clima quanto a operação.
A preparação se divide em 3 etapas de 2 meses cada. Nos primeiros dois meses, a prioridade é o diagnóstico operacional, com análise de demanda por horário e simulação dos impactos da jornada de 42 horas.
Na etapa seguinte, entram as negociações internas e sindicais, além de projetos-piloto para testar a lógica da futura jornada de 40 horas. Os dois meses finais vão para o refinamento do modelo, a capacitação de gestores e a criação de canais permanentes de escuta dos colaboradores.
Segundo Alexandra Nunes, HR & People Director na Peers Consulting + Technology, uma possibilidade concreta é começar por um piloto: escolher um cluster de lojas representativo, redesenhar a escala como se a regra já estivesse em vigor, medir o impacto em custo, produtividade e satisfação do cliente, e usar esse aprendizado para desenhar o rollout nacional.
A Peers apoia redes de varejo na condução de diagnósticos de demanda e redesenho de escalas. Conheça nossas soluções.
Quanto antes o varejo começar a se preparar, maiores as chances de transformar uma obrigação regulatória em oportunidade de eficiência operacional. Redes que tratarem os próximos meses como janela de diagnóstico chegam à fase obrigatória com escala redesenhada. As demais vão correr atrás do ajuste sob pressão.
Como a Peers pode ajudar?
A Peers apoia redes de varejo na condução de diagnósticos de demanda por loja, simulação de impacto financeiro e redesenho de escalas antes da fase obrigatória da mudança legislativa.
A redução da jornada para 40 horas já está confirmada?
A PEC foi aprovada em dois turnos na Câmara dos Deputados e segue em tramitação no Senado, com transição gradual de 44 para 42 horas nos primeiros 60 dias e para 40 horas em até 14 meses.
Contratar mais funcionários resolve o problema da redução de jornada?
Contratar sem revisar processos cria uma estrutura de custo permanente para resolver um problema que a gestão pode corrigir. O caminho mais eficaz é redesenhar a escala pela curva de demanda de cada loja.
Por que os atacarejos sentem mais o impacto dessa mudança?
Porque operam em períodos mais longos, dependem de atividades logísticas em horários fixos, muitas vezes noturnos, e têm equipes multifuncionais.
Qual é o primeiro passo prático para uma rede começar a se preparar?
Realizar um diagnóstico detalhado da demanda por loja, identificando horários de pico e padrões de consumo, antes de qualquer ajuste de escala ou contratação.