Em entrevista publicada pela Abrelivros, Braulio Takahashi, Associate Manager na Peers, analisa o avanço da inteligência artificial na educação e seus impactos sobre redes de ensino, professores, estudantes e materiais didáticos. A discussão ganha relevância diante da velocidade de adoção dessas tecnologias.
Segundo projeção da Grand View Research citada na entrevista, o mercado global de IA na educação pode passar de US$ 8,3 bilhões em 2025 para US$ 57,2 bilhões em 2033, com crescimento anual de 25,9% entre 2026 e 2033.
No Brasil, o avanço já aparece na rotina escolar. Dados da TIC Educação indicam que 53% dos gestores escolares utilizavam IA em atividades pedagógicas, administrativas ou financeiras em 2025.
A inteligência artificial pode ajudar as redes de ensino a atuar sobre três desafios destacados na entrevista: evasão, personalização da aprendizagem e produtividade do trabalho escolar.
Na evasão, sistemas de IA podem cruzar sinais como faltas, frequência e engajamento para identificar estudantes com maior risco de abandono. A partir dessa leitura, as equipes podem priorizar intervenções e organizar planos de ação específicos.
A tecnologia funciona como ferramenta de apoio à decisão. A retenção do estudante continua dependendo da atuação de orientadores, tutores, professores e estratégias de busca ativa.
Esse tipo de aplicação mostra como o valor da IA depende da integração com processos e decisões humanas. A mesma lógica aparece em outras áreas quando organizações utilizam IA para aumentar produtividade e eficiência.
A personalização é uma das principais possibilidades de aplicação da IA na educação.
Com essas ferramentas, conteúdos, atividades e trilhas podem ser adaptados ao desempenho e ao ritmo de cada estudante. A IA também pode fornecer feedback mais rápido, permitindo que o aluno identifique dificuldades ao longo do processo de aprendizagem.
Ao mesmo tempo, a adoção já avança mais rapidamente do que a mediação pedagógica. Segundo os dados citados por Braulio Takahashi, 70% dos alunos do ensino médio já utilizavam IA generativa em pesquisas escolares, enquanto apenas 32% afirmavam ter conversado com professores sobre como utilizar essas ferramentas.
Esse descompasso reforça a importância de incluir o letramento em IA na formação docente e de criar orientações claras para alunos e educadores.
O professor continua no centro das decisões pedagógicas.
A IA pode apoiar a produção de planos de aula, atividades, textos, imagens, roteiros e outros materiais complementares. Também pode adaptar conteúdos para diferentes níveis de aprendizagem e ampliar a acessibilidade por meio de recursos como simplificação de textos, descrição de imagens, traduções e formatos adaptados.
A definição do objetivo, a seleção do que será utilizado e a avaliação dos resultados permanecem sob responsabilidade do docente.
É nesse sentido que a entrevista sintetiza a relação entre tecnologia e educação na frase: “A IA executa, o docente escolhe”.
Esse cuidado também é necessário porque ferramentas generativas podem produzir informações incorretas. Por isso, a adoção exige curadoria e validação humana antes que o conteúdo chegue aos estudantes.
A orientação apresentada na entrevista também aponta para testes e projetos-piloto antes da adoção em larga escala, especialmente quando ainda não existem evidências suficientes sobre o desempenho de uma solução.
Parte do impacto pode vir da automação de atividades que hoje ocupam uma parcela relevante da rotina escolar.
Planejamento, correção e elaboração de relatórios são exemplos de tarefas que podem receber apoio da IA. O ganho de produtividade abre espaço para que professores dediquem mais tempo ao acompanhamento dos alunos, à mediação pedagógica e ao acolhimento.
A transformação, porém, exige uma definição clara sobre como o tempo liberado será utilizado.
A entrevista mostra que apenas 22% das escolas possuem um guia para uso de IA. Isso indica que a expansão tecnológica precisa caminhar junto com modelos de governança, critérios de utilização e capacitação.
A adoção também deve ser acompanhada por métricas que permitam avaliar se a tecnologia efetivamente melhora os resultados esperados. Essa preocupação com mensuração aparece também na análise da Peers sobre como avaliar o ROI de iniciativas de inteligência artificial.
Infraestrutura permanece como uma das principais barreiras.
Segundo a TIC Educação 2025 citada na entrevista, 62% das escolas brasileiras tinham computador e internet disponíveis para os alunos. O percentual era de 38% no Norte e 48% no Nordeste, enquanto chegava a 88% no Sul.
A diferença mostra que a expansão da IA depende de condições anteriores à própria tecnologia. Conectividade adequada, equipamentos e formação precisam avançar de forma conjunta.
A formação docente também aparece como prioridade. Em 2024, 43% dos professores já utilizavam IA na preparação de conteúdos, enquanto apenas 19% dos estudantes disseram ter conversado com professores sobre como utilizá-la e 33% afirmaram ter aprendido a identificar erros e vieses.
Para ampliar o uso com segurança, a entrevista aponta quatro frentes principais:
O avanço tecnológico precisa estar conectado a objetivos pedagógicos claros.
Ferramentas de IA podem ampliar o acesso ao conhecimento, apoiar a personalização, reduzir tarefas administrativas e melhorar a capacidade das redes de identificar estudantes que precisam de acompanhamento. O resultado depende da forma como essas soluções são incorporadas ao cotidiano escolar.
Infraestrutura, formação, governança e proteção de dados formam a base para que a tecnologia seja utilizada de maneira consistente.
Para redes de ensino e organizações que estão avaliando investimentos em inteligência artificial, o desafio passa por definir prioridades, selecionar casos de uso e acompanhar resultados ao longo da implementação.
A experiência em outros setores também mostra a importância de combinar tecnologia, processos e indicadores para transformar iniciativas de IA em ganhos concretos. A Peers reúne essa discussão em conteúdos sobre aplicações de inteligência artificial e eficiência operacional.
Como a Peers pode ajudar?
A Peers apoia organizações na identificação e priorização de oportunidades de uso de inteligência artificial, estruturação de casos de uso, desenho de processos e definição de métricas para acompanhar resultados. Em educação, essa abordagem pode apoiar redes e empresas na avaliação de aplicações ligadas a produtividade, experiência, personalização e gestão. Conheça nossas soluções.
Como a inteligência artificial pode ser usada na educação?
A IA pode apoiar atividades como identificação de risco de evasão, personalização de conteúdos, feedback aos estudantes, preparação de materiais, planejamento de aulas, correção e elaboração de relatórios.
A inteligência artificial pode substituir o professor?
O papel do professor permanece central. A IA pode executar tarefas e ampliar possibilidades, enquanto objetivos pedagógicos, seleção de conteúdos, mediação e avaliação continuam sob responsabilidade do docente.
Quais são os principais desafios para ampliar o uso de IA nas escolas?
Os principais desafios destacados na entrevista são conectividade, acesso a equipamentos, formação de professores, diretrizes claras de uso, proteção de dados e desigualdades regionais.
Como saber se um projeto de IA na educação está funcionando?
A adoção deve partir de objetivos definidos e ser acompanhada por indicadores. Projetos-piloto permitem testar aplicações, avaliar resultados e ajustar a solução antes de uma implementação em maior escala.