Quando a diretoria pede corte de custo de frete, o primeiro impulso é ligar para a transportadora. Mas empresas que tratam a redução de custo de transporte como projeto de renegociação de tabela deixam a maior parte do ganho na mesa. Existe um conjunto estruturado de alavancas capaz de capturar ganhos de dois dígitos, muito além dos 3% a 8% típicos de uma negociação isolada.
Porque a tabela de frete é a consequência final de uma cadeia de decisões tomadas muito antes: como o pedido foi estruturado, como a demanda foi planejada, como a malha foi desenhada e como o modelo operacional foi executado. Iniciativas que começam e terminam na negociação de tabela capturam ganhos entre 3% e 8%, um resultado real, mas limitado ao espaço de manobra comercial da transportadora.
A captura estrutural exige atuar antes do frete existir como linha de custo: no desenho do pedido, no planejamento da demanda, na malha logística e no modelo operacional. É nesse território que aparecem os ganhos de dois dígitos, documentados em projetos conduzidos pela Peers.
O ganho sustentável vem de uma sequência estruturada de decisões. O erro mais comum é atacar apenas o preço do frete quando o problema está distribuído em quatro camadas distintas da operação, cada uma com alavancas próprias e interdependentes.
| Etapa | Alavancas | Foco |
|---|---|---|
| Planejar | Desenho de malha, planejamento de demanda, gestão do pedido | Onde o custo nasce |
| Estruturar | Modelo de frete, estrutura tarifária, sourcing | Como o custo é definido |
| Executar | Execução operacional, auditoria de fretes | Como o custo é controlado |
| Habilitar | Tecnologia e inteligência de dados | Como o custo é amplificado ou reduzido |
A coordenação entre essas etapas gera mais resultado do que a soma isolada de iniciativas pontuais. Empresas que atuam em apenas uma camada capturam ganhos parciais. As que coordenam todas as quatro chegam aos ganhos de dois dígitos documentados em projetos reais.
Em uma operação multimarca e multicanal, o diagnóstico mapeou 170 dores distintas e identificou 25 iniciativas organizadas entre quick wins, com prazo de até três meses, e iniciativas estruturantes, de três a seis meses.
As alavancas atacadas incluíram estrutura tarifária e dimensionamento de veículos no inbound, conversão de fluxos CIF para FOB, governança de fretes spot, unificação de CT-e e renegociação de adicionais e pedágio.
O resultado: potencial de R$ 46,4 milhões em ganho anual, com ROI de 45 vezes e upside máximo estimado em R$ 102,8 milhões. Nenhuma rodada isolada de negociação de tabela teria chegado perto disso.
Em setores de baixo valor agregado, como cimento, aço, grãos e fertilizantes, o frete pode representar entre 8% e 20% do custo total do produto. Uma redução de 10% no custo de transporte equivale a um aumento expressivo de volume de vendas em termos de impacto na margem.
Nesses casos, a abertura estruturada dos dados de frete, nota a nota e rota a rota, revela quanto está sendo pago por um serviço que poderia ser internalizado ou renegociado com base em referência real de mercado.
Três aprendizados se repetem nesse tipo de diagnóstico:
Empresas em estágios avançados de maturidade em transporte, com dados integrados e governança ativa das alavancas, costumam capturar de duas a três vezes mais valor das mesmas iniciativas do que operações ainda reativas. Avançar de estágio é uma decisão de gestão estratégica.
"A priorização não deveria começar pela alavanca mais fácil de implementar, mas pela que ataca o ponto de maior concentração de custo identificado no diagnóstico da operação", explica Pedro Terra, à frente das análises de transporte da Peers Consulting + Technology.
Indícios de que uma operação está presa na lógica de somente negociar tabela:
O verdadeiro ganho sustentável vem da coordenação entre todas as alavancas: planejar, estruturar, executar e habilitar. Empresas que medem resultados apenas pela negociação de tabela perdem o valor estrutural que está incorporado em toda a operação.
Quais são as alavancas para reduzir custo de transporte além de negociar frete?
Desenho de malha, planejamento de demanda, gestão do pedido, modelo de frete, estrutura tarifária, sourcing, execução, auditoria e tecnologia, organizadas em quatro etapas: planejar, estruturar, executar e habilitar.
Por que só negociar tabela de frete não é suficiente?
Porque captura ganhos entre 3% e 8%, limitados ao espaço de manobra comercial da transportadora. Os ganhos de dois dígitos vêm de atuar antes do frete existir como linha de custo.
Qual o potencial real de redução de custo de transporte com um diagnóstico completo?
Casos documentados mostram potencial de dezenas de milhões de reais anuais em operações de grande porte, com ROI de dezenas de vezes sobre o investimento no diagnóstico e implementação.
Como priorizar entre as diferentes alavancas de redução de custo?
Pelo ponto de maior concentração de custo identificado no diagnóstico da operação. A coordenação entre alavancas gera mais valor do que a soma de ações isoladas.
A tecnologia substitui as demais alavancas de redução de custo de transporte?
A tecnologia habilita e potencializa as demais alavancas, mas não corrige um processo estruturalmente quebrado. Ela amplifica o que já está bem desenhado.