O Jogo de Soma Negativa da Saúde Suplementar: glosas, custos e o caminho para um modelo baseado em valor

KEY TAKEAWAYS

  • O índice de glosas iniciais sobre o faturamento hospitalar saltou de 11,89% em 2023 para 15,89% em 2024, segundo o Observatório ANAHP 2025.
  • Operadoras e prestadores operam em um equilíbrio análogo ao dilema do prisioneiro: cada lado age racionalmente de forma isolada e o resultado coletivo é pior do que se cooperassem.
  • O conflito gera três custos pagos pelo paciente: administrativo, financeiro e assistencial, sendo este último o mais grave.
  • Os dois caminhos adotados pelo setor são a verticalização via M&A e os modelos baseados em valor.
  • O gap não é técnico. As ferramentas existem. O desafio é gestão que conecte financeiro, tecnológico, operacional e estratégico.

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O índice de glosas iniciais sobre o faturamento hospitalar saltou de 11,89% em 2023 para 15,89% em 2024, segundo o Observatório ANAHP 2025. Esse número não é apenas um indicador contábil.

O aumento das glosas é apenas o sintoma mais visível de um problema maior: a deterioração da relação entre operadoras e prestadores. É esse cenário que Felipe Baran, Associate Manager, e Alex Osoegawa, Executive Director da Peers Consulting + Technology, analisam em artigo publicado no Saúde Digital News.

Por que operadoras e prestadores produzem um resultado coletivo pior do que se cooperassem?

O problema é de incentivos. Operadoras glosam preventivamente porque sabem que parte das contas vem com margem defensiva. Prestadores faturam com margem defensiva porque sabem que parte do faturamento legítimo será glosada. Quem rompe o ciclo unilateralmente perde no curto prazo sem garantia de ganho, e por isso ninguém rompe.

Ambos reconhecem que a cooperação produziria melhor resultado coletivo, mas os incentivos vigentes empurram para a posição individualista. O equilíbrio se mantém ineficiente e o valor é destruído na fronteira entre os dois.

"O setor inteiro paga essa conta", afirmam Felipe Baran, Associate Manager, e Alex Osoegawa, Executive Director da Peers Consulting + Technology, em análise publicada pela Saúde Digital News.

Quais são os três custos que esse conflito transfere para o paciente?

Tipo de custo Origem Quem paga na prática
Custo administrativo Áreas de auditoria e recurso de glosa duplicadas Beneficiário via mensalidade
Custo financeiro Retenção de pagamentos durante ciclo de auditoria Beneficiário via repasse de preço
Custo assistencial Fragmentação de dados clínicos entre as partes Beneficiário via pior desfecho

Fonte: Peers Consulting + Technology.

O custo assistencial é o mais grave. Os dados que determinam valor em saúde circulam de forma fragmentada entre operadoras e prestadores. O prestador é avaliado por volume e custo dos procedimentos, não pelos resultados gerados ao paciente. O padrão se repete mas o sistema não o enxerga antes que ele se consolide. 

Como a verticalização tenta resolver o jogo eliminando os jogadores?

Operadoras adquirem prestadores via M&A, unindo por propriedade o que não se integrou por parceria. Quando operadora e prestador são a mesma organização, o conflito de incentivos desaparece por definição. Mas exige capacidade de integração operacional e cultural que poucas organizações têm, o mesmo desafio que aparece na integração da jornada do paciente com resultado clínico quando os sistemas não conversam.

O que são modelos baseados em valor e por que mudam a lógica do jogo?

Nos modelos baseados em valor, o pagamento ao prestador se vincula ao desfecho clínico do paciente. Quando operadora e prestador são remunerados pelo mesmo resultado, cooperar deixa de ser irracional.

"Trata-se de redesenhar o tabuleiro, alterando os payoffs de modo que cooperar deixe de ser irracional para quem dá o primeiro passo", explicam Felipe Baran e Alex Osoegawa.

As ferramentas existem: padrão TISS, prontuário eletrônico e painéis ANS. O gap está na gestão que conecta esses elementos em um arranjo funcional, como aprofundado na análise sobre transformação digital na saúde e as estratégias para 2026.

Quais são as quatro frentes que precisam ser integradas para sair do equilíbrio ineficiente?

Quatro frentes simultâneas: financeira, com alinhamento de incentivos contratuais; tecnológica, com base unificada de dados clínicos e financeiros; operacional, com métricas de desfecho auditáveis; e estratégica, com governanças desenhadas em torno de um objetivo compartilhado.

"Esse é um trabalho que exige a atuação de um terceiro, com método, neutralidade e capacidade de traduzir incentivos contratuais em rotinas operacionais", concluem Felipe Baran e Alex Osoegawa.

A operadora que reconstruir a relação com o prestador encontrará uma alavanca de diferenciação que poucos players estão prontos para operar.

Sair do equilíbrio ineficiente exige método, gestão estruturada e a mediação de quem observa o tabuleiro de fora. A Peers apoia nesse processo, do redesenho de incentivos contratuais à estruturação de modelos baseados em valor. Conheça nossas soluções em peers.com.br/industrias/healthcare/.

Perguntas Frequentes

Como a Peers pode ajudar?

A Peers apoia operadoras e prestadores no redesenho da relação comercial e assistencial, do alinhamento de incentivos contratuais à estruturação de modelos baseados em valor com métricas de desfecho auditáveis. Conheça nossas soluções em peers.com.br/industrias/healthcare/.

Glosas são recusas de pagamento de itens faturados pelo prestador. Crescem quando falta confiança nos critérios de cobrança e auditoria, gerando um ciclo em que cada parte se blinda contra a outra com faturamento e auditoria defensivos.

É um modelo em que o pagamento ao prestador se vincula ao desfecho clínico do paciente, alinhando os incentivos de operadora e prestador para o mesmo objetivo.

Resolve por dentro, mas exige capacidade de integração operacional e cultural que poucas organizações têm.

As ferramentas existem: padrão TISS, prontuário eletrônico e painéis ANS. O gap está na gestão que conecta incentivos contratuais, dados clínicos, métricas de desfecho e governança compartilhada em um arranjo funcional.

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Felipe Baran

Felipe Baran

Associate Manager

Gerente na Peers Consulting + Technology | Health

Alex Osoegawa

Alex Osoegawa

Executive Director

Diretor Executivo na Peers Consulting + Technology | Especialista do setor de saúde

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