Setor hospitalar: crescimento mais seletivo deve orientar os próximos ciclos

KEY TAKEAWAYS

  • O 2T26 reforçou diferenças entre empresas que conseguem transformar crescimento em rentabilidade e companhias pressionadas por custos e endividamento.
  • Geração de caixa, estrutura de capital e controle de custos ganham importância na avaliação do desempenho hospitalar.
  • Ocupação segue relevante, mas precisa ser acompanhada por margem, ciclo de caixa e retorno sobre capital.
  • Crescimento, carteira e aquisições tendem a passar por critérios mais seletivos nos próximos anos.

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Os resultados do segundo trimestre de 2026 mostram um setor hospitalar com demanda forte, mas desempenhos bastante diferentes entre as empresas.

Em entrevista à Medicina S/A, Alex Osoegawa, Executive Director e Head de Saúde na Peers, analisa como geração de caixa, estrutura de capital, controle de custos e maior seletividade devem orientar as decisões do setor nos próximos ciclos.

O que os resultados do 2T26 revelam sobre o setor hospitalar?

O trimestre mostrou que crescimento de receita, sozinho, explica pouco sobre a qualidade do resultado.

A Rede D’Or registrou alta de 5,6% na receita e de 18,2% no EBITDA. O Fleury apresentou lucro 45,7% superior e alavancagem de 1,1 vez. A Dasa avançou em seu processo de turnaround, com crescimento de 53% do EBITDA em base comparável e R$ 292 milhões de geração de caixa livre.

Em outra direção, Hapvida, Kora e Oncoclínicas apresentaram maior pressão sobre resultados. O fator que ajuda a separar esses grupos está na velocidade de crescimento dos custos em relação à receita.

Por que estrutura de capital e geração de caixa ganham importância?

A demanda permanece elevada, com 53,1 milhões de pessoas em planos de assistência médica em junho de 2026. Ao mesmo tempo, a Selic em 14% aumenta a pressão sobre empresas mais alavancadas.

Nesse cenário, estrutura de capital e capacidade de geração de caixa passam a influenciar diretamente as decisões de crescimento.

Empresas com menor alavancagem preservam mais flexibilidade para investir e aproveitar oportunidades. Já companhias que financiaram expansão por meio de dívida indexada ao CDI enfrentam maior pressão financeira.

A própria lógica de crescimento muda. A Hapvida, por exemplo, revisa contratos deficitários ligados a 947 mil vidas em busca de recuperação de margem.

Crescer passa a exigir uma relação mais equilibrada entre receita, custos, dívida e geração de caixa.

Quais indicadores ajudam a avaliar a rentabilidade hospitalar?

A taxa de ocupação continua relevante, mas precisa ser analisada junto a indicadores financeiros e operacionais.

Entre os principais estão:

Indicador O que ajuda a avaliar
Crescimento de custos x receita Eficiência da operação
Margem de contribuição Qualidade econômica dos contratos
Ciclo de caixa Capacidade de financiar a operação
Retorno sobre capital investido Criação de valor frente ao custo de capital
Geração de caixa livre Conversão do resultado em caixa

Alex também destaca que um hospital pode ter alta ocupação e ainda enfrentar baixa rentabilidade caso os contratos tenham remuneração reduzida ou prazos longos de pagamento.

Como tecnologia e dados podem apoiar eficiência?

Tecnologia, dados e digitalização aparecem como alavancas especialmente em duas frentes: custos e ciclo de receita.

No ciclo de receita, a padronização de dados e processos pode contribuir para reduzir glosas. Na cadeia de suprimentos, a organização de bases cadastrais ajuda a melhorar compras, negociação e gestão de estoque.

Essas frentes mostram como eficiência pode ser construída a partir da revisão de processos apoiada por dados e tecnologia.

O que esperar do setor hospitalar nos próximos anos?

A principal tendência apontada para os próximos três a cinco anos é a seletividade.

Ela deve aparecer em três dimensões:

  • crescimento com maior participação de geração própria de caixa;
  • carteira com precificação mais ajustada ao risco de cada contrato;
  • fusões e aquisições concentradas em compradores mais capitalizados.

A consolidação deve continuar, mas com critérios financeiros mais rigorosos e menos espaço para crescimento sustentado por dívida cara.

Conclusão

O setor hospitalar entra em um ciclo de crescimento mais seletivo.

Os resultados do 2T26 mostram que controle de custos, geração de caixa e estrutura de capital ajudam a explicar diferenças importantes entre as empresas.

Nos próximos anos, eficiência operacional, disciplina financeira e melhor uso de dados e tecnologia tendem a ganhar ainda mais espaço nas decisões de crescimento.

Perguntas Frequentes

Como a Peers pode ajudar?

A Peers apoia organizações do setor de saúde na identificação de oportunidades de eficiência, revisão de processos, estruturação financeira e uso de dados e tecnologia para melhorar ciclo de receita, gestão de custos e tomada de decisão. Conheça nossas soluções.

Geração de caixa, estrutura de capital, controle de custos, qualidade da carteira e retorno sobre capital ganham relevância nas decisões de crescimento.

Ocupação, margem de contribuição, ciclo de caixa, geração de caixa livre, margem EBITDA e retorno sobre capital investido ajudam a construir uma visão mais completa do desempenho.

A análise aponta continuidade da consolidação, com maior seletividade, menos compradores capitalizados e critérios financeiros mais rigorosos.