O agronegócio brasileiro exportou US$ 169,2 bilhões em 2025, mas acumulou R$ 287 bilhões em perdas por eventos climáticos extremos entre 2013 e 2022. Pujança e vulnerabilidade coexistem na mesma operação.
"O S&OP se posiciona como uma alavanca estratégica capaz de transformar dados em decisões, riscos em oportunidades e complexidade em valor compartilhado", avaliam Rafael Pimenta e Lohan Mori.
O que é S&OP no agronegócio?
S&OP (Sales and Operations Planning) é um processo de planejamento integrado que conecta demanda, produção, logística, compras e finanças num ciclo estruturado. No agronegócio, ele é especialmente relevante porque permite antecipar e coordenar decisões diante de variáveis climáticas, cambiais e regulatórias que nenhuma área consegue gerenciar isoladamente.
Qual é a diferença entre S&OP e IBP?
O S&OP integra operações e vendas num ciclo de planejamento. O IBP vai além: conecta esse planejamento diretamente às projeções financeiras, ao fluxo de caixa e às metas estratégicas da organização, incluindo compromissos ESG. É a evolução natural para quem quer que o planejamento tenha impacto direto nas decisões de negócio.
Por que o S&OP é relevante para exportadores do agronegócio?
Porque regulações como o EUDR exigem rastreabilidade completa de cada lote exportado para a União Europeia. Sem um processo integrado de planejamento e registro, atender a essa exigência é inviável na prática. O S&OP estrutura a governança que torna essa rastreabilidade possível.
Como o S&OP reduz perdas no agronegócio?
Ao sincronizar o ritmo da colheita com a capacidade de armazenamento, processamento e transporte. O Brasil perde cerca de 10% de sua produção de grãos na pós-colheita, em grande parte por desalinhamento logístico e industrial. O S&OP atua diretamente nesse ponto.
Em quanto tempo uma operação agroindustrial consegue implementar S&OP?
Depende da maturidade de dados e processos da organização. Implementações iniciais com ciclos funcionando levam entre 3 e 6 meses. A maturidade completa, com integração financeira e cenários de risco, normalmente se consolida em 12 a 18 meses.