A inteligência artificial já ocupa espaço permanente nas discussões corporativas, mas familiaridade com o tema está longe de significar capacidade real de aplicação. Em coluna para a Revista Gestão RH, Alexandra D’Azevedo Nunes, HR & People Director da Peers Consulting + Technology, chama atenção para a necessidade de preparar líderes e equipes para experimentar, avaliar e incorporar a IA ao trabalho.
A inteligência artificial já ocupa espaço permanente nas discussões corporativas. Ainda assim, familiaridade com o tema está longe de significar capacidade real de aplicação.
Em coluna para a Revista Gestão RH, Alexandra D'Azevedo Nunes, HR & People Director da Peers Consulting + Technology, chama atenção para esse desafio: preparar líderes e equipes para experimentar, avaliar e incorporar a IA ao trabalho.
E os dados mostram que ainda existe espaço para avançar. No estudo sobre IA Generativa no Brasil realizado pela Peers em parceria com o MIT Technology Review Brasil, 40,2% dos participantes concordam parcialmente que suas empresas estão preparadas em relação à capacitação em IA, enquanto 26,5% concordam totalmente. Outros 33,3% apresentam algum nível de discordância.
Uma das formas de ampliar a adoção é começar por quem já demonstra curiosidade pela tecnologia.
Esses profissionais podem atuar como champions de IA, ou seja, colaboradores que se tornam referências internas no uso da tecnologia, testando ferramentas, identificando aplicações no dia a dia e compartilhando aprendizados com outras pessoas da organização.
Para o RH, essa abordagem amplia a lógica da capacitação. Além de treinamentos gerais, a empresa pode identificar quem já utiliza IA com maior frequência, desenvolver esses profissionais e criar mecanismos para que o conhecimento circule entre áreas e equipes.
Na prática, os champions ajudam a aproximar a tecnologia dos desafios reais do trabalho e tornam a experimentação mais acessível para quem ainda está começando.
Letramento em inteligência artificial não significa saber programar ou dominar algoritmos.
Significa entender possibilidades e limitações da tecnologia, experimentar ferramentas, avaliar os resultados produzidos e reconhecer onde sua aplicação pode gerar valor.
Na prática, a IA já pode apoiar atividades como análise de dados, geração de conteúdo, atendimento, automação de tarefas e tomada de decisão. A Peers aborda algumas dessas possibilidades no artigo 8 aplicações da inteligência artificial no dia a dia dos negócios, que reúne exemplos de como a tecnologia pode ser aplicada em diferentes atividades e áreas das empresas.
Capacitar equipes, portanto, também significa desenvolver senso crítico para decidir quando usar a tecnologia, como validar seus resultados e quais atividades realmente se beneficiam dela.
O ganho de produtividade com IA depende diretamente de como as pessoas são preparadas para incorporar a tecnologia ao trabalho.
Para o RH, isso significa entender quais competências precisam ser desenvolvidas, quais funções tendem a ser mais impactadas e como transformar o aprendizado em mudança efetiva na rotina das equipes.
Treinamentos pontuais ajudam a criar repertório, mas não sustentam a adoção sozinhos. É preciso combinar capacitação prática, identificação de champions, troca de conhecimento entre áreas e acompanhamento de como a IA está sendo aplicada no dia a dia.
O papel do RH também passa por acompanhar como essa transformação afeta as pessoas. A adoção de IA pode aumentar produtividade, mas exige lideranças preparadas para conduzir a mudança e lidar com seus impactos sobre as equipes.
Essa relação entre eficiência tecnológica, liderança e riscos psicossociais também é discutida pela Peers em IA já gera resultados, mas desafia liderança nas empresas.
O debate sobre o fim da escala 6x1 amplia essa discussão porque coloca produtividade, capacidade operacional e desenho do trabalho no centro da agenda.
Como a Peers analisa no artigo Fim da Escala 6x1: por que redesenhar processos importa mais do que apenas recalcular a folha, uma eventual redução de jornada exige uma revisão mais ampla do modelo operacional.
É nesse contexto que IA e automação podem ganhar relevância. Reduzir atividades repetitivas, otimizar processos e apoiar análises permite direcionar a capacidade das equipes para atividades que exigem julgamento, tomada de decisão e interação humana.
Mas tecnologia é apenas uma das variáveis. Revisão de escalas, multifuncionalidade, dimensionamento das equipes e organização dos processos também fazem parte da equação.
Para apoiar essa análise, a Peers desenvolveu a Calculadora de Impacto do Fim da Escala 6x1, que permite estimar o impacto da mudança de 44 para 40 horas semanais e avaliar alternativas de mitigação, como rightsizing, escalas por demanda, banco de horas, multifuncionalidade e automação.
A questão deixa de ser apenas quantas horas as pessoas trabalham e passa também por como utilizar melhor essas horas.
O primeiro passo é entender o nível de maturidade das equipes e identificar onde a IA pode gerar impacto real no trabalho.
A partir desse diagnóstico, o RH pode mapear champions, definir competências prioritárias, selecionar casos de uso e estruturar jornadas de aprendizagem conectadas aos desafios de cada área.
Também é importante criar espaço para experimentação. Quando os profissionais aplicam a tecnologia a situações concretas, avaliam os resultados e compartilham aprendizados, a capacitação deixa de ser pontual e passa a fazer parte da rotina.
Esse processo também exige acompanhamento. À medida que determinadas atividades mudam com o uso de IA, o RH precisa observar quais competências ganham relevância, onde surgem novas necessidades de desenvolvimento e como as funções estão sendo redesenhadas.
Preparar uma organização para usar IA, portanto, envolve muito mais do que ensinar ferramentas. Exige criar condições para que as pessoas aprendam continuamente, utilizem a tecnologia com senso crítico e consigam transformar esse aprendizado em novas formas de trabalhar.
Como a Peers pode ajudar a capacitar meu time para usar IA?
A Peers apoia empresas na capacitação de equipes e lideranças para novas formas de trabalho, conectando desenvolvimento de competências, gestão da mudança e IA. Saiba mais em Talent & Organization.
O que é um champion de IA?
É um profissional que demonstra interesse em experimentar a tecnologia e pode atuar como referência interna, identificando aplicações e compartilhando aprendizados com outros colaboradores.
Letramento em IA exige saber programar?
Não. Envolve compreender possibilidades e limitações da tecnologia, experimentar ferramentas, avaliar resultados e identificar onde sua aplicação pode gerar valor.
Como a IA pode contribuir para a produtividade?
A IA pode automatizar atividades repetitivas, apoiar análises e ampliar a capacidade das equipes para atuar em tarefas de maior valor.
Qual é a relação entre IA e o fim da escala 6×1?
Uma eventual redução da jornada aumenta a importância de revisar produtividade, processos e dimensionamento das equipes. IA e automação podem fazer parte desse redesenho, em conjunto com outras mudanças operacionais.