Impacto das bets no consumo das famílias pressiona o varejo

KEY TAKEAWAYS

  • As apostas online já alcançam 17% dos brasileiros com 16 anos ou mais, segundo a ANBIMA.
  • A recorrência amplia a pressão sobre famílias com pouca folga financeira.
  • Bares, restaurantes, delivery, roupas e acessórios já perdem espaço no orçamento de parte dos apostadores.
  • As bets precisam entrar nos modelos de demanda e planejamento comercial.

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O impacto das bets no consumo das famílias amplia a pressão sobre um orçamento já comprometido por juros elevados, endividamento e aumento dos preços. Em análise publicada pela CZ App, Andreas Bethanis, Head of Research da Peers Consulting + Technology, avalia como esse movimento afeta frequência de compra, ticket médio e previsibilidade de receita no varejo.

Como o impacto das bets no consumo das famílias chega ao varejo?

As apostas online passaram a disputar recursos com alimentação, lazer, vestuário e formação de reserva. Segundo a ANBIMA, 17% dos brasileiros com 16 anos ou mais fizeram alguma aposta online em 2025, ante 15% em 2024 e 14% em 2023.

De acordo com o Índice Diário de Atividade Econômica do Itaú, o consumo brasileiro caiu 1,7% em junho na comparação com maio, marcando o terceiro recuo mensal consecutivo.

Juros e endividamento seguem entre as principais causas da perda de demanda. As bets acrescentam uma despesa digital de alta recorrência, com efeito maior entre consumidores com pouca margem no orçamento.

A análise da Peers sobre como as bets afetam o orçamento das famílias mostra como esse comportamento pressiona demanda, margem e retenção.

Por que a recorrência pesa mais do que o valor apostado?

A recorrência transforma uma decisão ocasional em pressão contínua sobre o orçamento. Desvio de consumo é a transferência de recursos antes destinados a produtos, serviços ou poupança para outra categoria de gasto.

Segundo o Banco Central, o mercado movimenta entre R$ 20 bilhões e R$ 30 bilhões por mês, com cerca de 85% retornando aos consumidores. A pressão está na parcela retida e na continuidade do ciclo.

O ponto contraintuitivo é que o dinheiro pode retornar ao consumidor sem voltar imediatamente ao varejo.

Segundo a ANBIMA, 39% dos apostadores buscam recursos para emergências, 37% enxergam uma oportunidade de ganhar muito dinheiro e 32% tratam a atividade como entretenimento. O Procon-SP também identificou que 52,39% dos participantes comprometeram parte relevante da renda, retiraram dinheiro de aplicações ou recorreram a empréstimos.

Em tradução livre, Andreas sintetiza o risco: "O varejo corre o risco de perder bilhões em receita anual com o redirecionamento dos gastos dos consumidores para as apostas."

Como medir o impacto das bets no consumo das famílias?

A mensuração exige separar os efeitos das apostas das pressões causadas por juros, inflação, renda e endividamento. Médias nacionais podem esconder impactos relevantes em determinados públicos e categorias.

Para incorporar as bets aos modelos de demanda, as empresas precisam:

  1. Acompanhar frequência de compra, ticket médio e itens por cesta.
  2. Comparar categorias essenciais e discricionárias.
  3. Analisar a migração para marcas mais baratas.
  4. Cruzar uso de crédito, atrasos e resposta a promoções.

A análise precisa revelar em quais públicos e categorias as apostas já contribuem para a perda de volume, melhorando decisões de preço, sortimento e comunicação.

A análise de dados aplicada à estratégia ajuda a transformar mudanças de comportamento em hipóteses mensuráveis.

Quais categorias perdem espaço e como o varejo deve reagir?

As primeiras perdas aparecem em despesas que podem ser adiadas ou substituídas. Segundo o Instituto Locomotiva, 48% dos apostadores reduziram gastos com bares, restaurantes e delivery. Outros 41% cortaram despesas com roupas e acessórios.

Os sinais mais relevantes são:

  • menor frequência em compras por impulso;
  • migração para marcas de entrada;
  • redução de itens por cesta;
  • maior dependência de descontos.

No varejo alimentar, o efeito aparece na troca de marcas e na retirada de itens menos prioritários. Em serviços, surge com redução de lazer, cancelamento de assinaturas e menor consumo fora de casa.

A resposta comercial passa por segmentação mais granular, revisão do portfólio e promoções direcionadas. Modelos baseados apenas em renda, inflação, juros e emprego podem deixar de captar parte das mudanças no orçamento familiar.

O case da Peers sobre a revisão do modelo de atendimento de um grande varejista mostra como alterações no comportamento do consumidor exigem alinhamento entre estratégia, operação e viabilidade financeira.

A disputa pelo orçamento já ultrapassou os concorrentes tradicionais. O varejo agora compete com plataformas digitais desenhadas para capturar atenção, recorrência e liquidez ao longo do dia.

Perguntas Frequentes

Como a Peers pode ajudar?

Peers apoia operadoras e prestadores no redesenho da relação comercial e assistencial, do alinhamento de incentivos contratuais à estruturação de modelos baseados em valor com métricas de desfecho auditáveis. Conheça nossas soluções. 

Parte dos apostadores já reduziu despesas com alimentação fora de casa, delivery, roupas e acessórios. O impacto varia conforme renda e frequência das apostas.

Pessoas com renda limitada, pouca reserva financeira e maior dependência de crédito.

Bares, restaurantes, delivery, vestuário, lazer e compras por impulso.

Cruzando frequência, ticket médio, composição da cesta, uso de crédito, atrasos e resposta a promoções.