Crédito no varejo: como o avanço dos cartões aumenta consumo e risco

KEY TAKEAWAYS

  • O cartão de crédito ampliou sua participação nas vendas do varejo paulista de 39,4% em 2023 para 43,6% em 2026.
  • O uso de dinheiro em espécie caiu de 17,9% para 11,3% no mesmo período.
  • O avanço do crédito ajuda a sustentar o consumo, mas também aumenta a exposição a inadimplência e custos financeiros.
  • A inadimplência avançou para 6% em julho de 2026, enquanto o endividamento das famílias pode chegar a R$ 2,54 trilhões no ano.
  • Para o varejo, a concessão de crédito ganha peso como decisão estratégica, principalmente em segmentos como moda.

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O cartão de crédito consolidou espaço no varejo e passou a concentrar uma fatia cada vez maior das compras. No estado de São Paulo, sua participação subiu de 39,4% em 2023 para 43,6% em 2026, enquanto o dinheiro em espécie caiu de 17,9% para 11,3%.

Em matéria publicada no Diário do Comércio, Admar Corrêa, Executive Director na Peers Consulting + Technology, analisa como o crédito segue relevante para estimular compras, especialmente no varejo de moda, ao mesmo tempo em que amplia a necessidade de acompanhar inadimplência e capacidade de pagamento dos consumidores.

Como os meios de pagamento estão mudando no varejo?

O avanço dos meios eletrônicos aparece de forma clara nos dados da Varejo 360.

No estado de São Paulo, o cartão de crédito passou de 39,4% das vendas em 2023 para 43,6% em 2026. O débito também cresceu, de 19,2% para 28,3%.

Enquanto isso, meios tradicionais perderam espaço:

  • dinheiro: de 17,9% para 11,3%;
  • boleto bancário: de 6,6% para 1,2%;
  • transferências bancárias e carteiras digitais: de 3,5% para 1%.

O Pix manteve participação relativamente estável, em 4,6% em 2026.

Esse movimento indica uma mudança relevante na forma como o consumidor financia e organiza suas compras no dia a dia.

Quais setores concentram mais compras no cartão?

A participação do cartão varia de acordo com o segmento.

Segmento Crédito em 2023 Crédito em 2026
Alimentos 30,5% 39%
Farmácias e cosméticos 46,9% 53,5%
Varejo não alimentício 47,8% 53,9%
Food Service 44,5% 52,3%
Bricolagem 39,5% 51,4%
Automotivo 50,5% 46,5%

O comportamento mostra que o crédito ganhou relevância em grande parte do varejo, embora o setor automotivo tenha seguido uma trajetória diferente.

Por que o avanço do cartão exige mais atenção do varejo?

O cartão ajuda a sustentar o consumo ao permitir que o pagamento seja adiado. Esse mecanismo também aumenta a exposição a risco de crédito.

A inadimplência avançou de 3,65% em julho de 2024 para 6% em julho de 2026. Ao mesmo tempo, o endividamento das famílias pode chegar a R$ 2,54 trilhões em 2026, ante R$ 2,31 trilhões em 2025.

Com uma parcela maior da renda comprometida, o consumidor passa a ter menos espaço para novas compras, o que pode reduzir a capacidade de consumo nos meses seguintes.

Para o varejo, isso amplia a importância de acompanhar quem recebe crédito, em quais condições e com qual nível de exposição.

Como o crédito afeta o varejo de moda?

No varejo de moda, o crédito tem papel relevante porque estimula compras e amplia a capacidade de consumo.

Segundo Admar Corrêa, essa estratégia também aumenta a exposição das empresas à inadimplência.

Os dados mostram diferenças entre grandes redes:

  • Riachuelo: inadimplência acima de 90 dias em 15,4% no segundo trimestre de 2026;
  • Renner: 24,1%;
  • C&A: 13,4%.

Diante do aumento do risco, algumas empresas passaram a adotar critérios mais seletivos na concessão de financiamento.

A Renner, por exemplo, reduziu sua carteira de financiamento para preservar a qualidade do crédito. Esse movimento mostra como o varejo começa a equilibrar estímulo à venda e controle de risco de forma mais cuidadosa.

O que muda na estratégia das varejistas?

Com consumidores mais endividados e custos financeiros elevados, a concessão de crédito passa a exigir decisões mais criteriosas.

A análise precisa considerar:

  • perfil do consumidor;
  • histórico de pagamento;
  • nível de endividamento;
  • risco de inadimplência;
  • impacto do crédito sobre vendas;
  • custo financeiro associado à operação.

Esse equilíbrio ganha importância porque o crédito segue relevante para sustentar compras, mas seu uso excessivo pode pressionar tanto o consumidor quanto o próprio varejista.

Como o endividamento pode afetar o consumo futuro?

O crescimento da inadimplência pode se transformar em um limite para novas compras.

Consumidores com maior comprometimento de renda tendem a ter menos espaço para assumir novas parcelas. Ao mesmo tempo, as empresas passam a operar com mais cautela na concessão de crédito e na expansão das vendas financiadas.

O efeito pode aparecer em menor frequência de compra, redução de ticket e desaceleração do consumo em categorias mais dependentes de parcelamento.

Conclusão

O avanço do cartão mostra uma transformação importante no comportamento de compra no varejo.

O crédito continua funcionando como estímulo ao consumo, mas o crescimento da inadimplência e do endividamento torna sua gestão mais estratégica.

Para as varejistas, o desafio está em equilibrar crescimento de vendas, risco de crédito e capacidade de pagamento dos consumidores, especialmente em um cenário de custos financeiros elevados.

Perguntas Frequentes

Como a Peers pode ajudar?

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O crescimento está relacionado ao avanço dos pagamentos eletrônicos, à bancarização e à menor disponibilidade imediata de dinheiro para parte dos consumidores.

Não necessariamente. O avanço ocorre junto com crescimento da inadimplência e do endividamento das famílias, o que exige mais atenção à capacidade de pagamento.

O crédito pode estimular compras ao permitir que o consumidor adie o pagamento, mas também aumenta a exposição das empresas ao risco de inadimplência.

Farmácias e cosméticos, varejo não alimentício, Food Service e bricolagem aparecem entre os segmentos com maior participação do crédito em 2026.

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Admar Neto

Admar Neto

Executive Director

Diretor Executivo da Peers Consulting + Technology I Líder do setor de varejo e bens de consumo

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