Impacto das bets no varejo: o novo destino do orçamento do cliente

KEY TAKEAWAYS

  • O varejo foi o único grande setor com saldo negativo de vagas no 1º semestre de 2026, fechando 45,9 mil postos com carteira assinada, segundo o Caged.
  • Levantamento da Peers mostra que 23% dos apostadores online cortaram gastos com roupas e calçados para apostar, e 19% cortaram despesas com supermercado.
  • Vestuário e acessórios concentraram 30,9 mil vagas fechadas, mais de dois terços do saldo negativo do setor.
  • O juro do rotativo do cartão chegou a 97,4% ao ano em junho de 2026, encarecendo o crédito para bens duráveis.

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O varejo fechou 45,9 mil vagas com carteira assinada no primeiro semestre de 2026, o pior resultado para um início de ano desde a pandemia, enquanto o restante da economia criou 921 mil empregos. Em reportagens publicadas pela Folha de S.Paulo e pelo Valor Econômico, o levantamento da Peers Consulting + Technology mostra que 23% dos apostadores online reduziram gastos com roupas e calçados para apostar, e 19% cortaram despesas com supermercado.

Quantas vagas o varejo perdeu em 2026?

O varejo eliminou 45,9 mil vagas entre janeiro e junho de 2026, o maior corte para um semestre desde a pandemia. Outros setores seguiram contratando:

  • Serviços criaram 571,9 mil vagas.
  • Construção civil criou 142,4 mil vagas.
  • Indústria criou 49,8 mil vagas.
  • Agropecuária criou 42,8 mil vagas.

O varejo foi o único grande setor a fechar o semestre no vermelho, sinal de pressão concentrada sobre o setor em meio a uma economia aquecida. O problema não ficou restrito a uma rede ou a uma cidade, ele atravessa vestuário, calçados e supermercados de forma dispersa em todo o país.

Qual o peso das apostas online na queda de consumo do varejo?

O varejo enfrenta hoje um tipo de concorrência que não existia há poucos anos: as apostas online, que competem pelo orçamento do consumidor sem oferecer produto algum. Uma parte do gasto que seria destinada a roupas ou supermercado passou a ser direcionada às apostas. Esse deslocamento ajuda a explicar parte da queda de vendas que o juro alto, sozinho, não justifica.

A resposta certa depende de entender qual é a causa. Quando o problema é renda menor, preço e crédito costumam resolver. Quando o problema é o consumidor levando parte do orçamento para outro lugar, a resposta passa por reter esse cliente e reforçar o valor que a marca entrega, tema que a Peers já explora em outras análises sobre o impacto das bets no consumo.

Os juros altos também explicam a queda de vagas no varejo?

Sim, por mecânica distinta da migração para apostas. O crédito caro pressiona mais os setores dependentes de parcelamento, como bens duráveis e eletroeletrônicos.

O juro do rotativo do cartão chegou a 97,4% ao ano em junho de 2026, ante 92,1% um ano antes. Bruno Imaizumi, economista da 4intelligence, afirma que o financiamento ao consumo ficou mais caro, pesando sobre setores dependentes de parcelamento, segundo reportagens da Folha de S.Paulo e do Valor Econômico.

Juro alto e migração para bets pedem respostas diferentes. Comitês de varejo ainda tratam os dois problemas com a mesma solução, e esse é hoje um dos erros mais comuns na hora de decidir onde investir.

Quais segmentos do varejo mais sofreram com o cenário de 2026?

O corte não foi uniforme entre segmentos:

  • Vestuário e acessórios: 30,9 mil vagas fechadas, mais de dois terços do saldo negativo total do setor.
  • Calçados: 11,3 mil postos fechados.
  • Super e hipermercados: 5,6 mil vagas fechadas.
Segmento Vagas fechadas no 1º semestre de 2026 Peso no saldo negativo do varejo
Vestuário e acessórios 30,9 mil Mais de dois terços do total
Calçados 11,3 mil Segundo maior segmento
Super e hipermercados 5,6 mil Menor entre os três, mas crescente

Vestuário e calçados concentram o corte de vagas e também lideram a perda de orçamento do apostador.

Como o varejo pode proteger margem diante da migração de consumo para as bets?

Proteger margem diante de um concorrente que não vende produto nenhum pede mais precisão na alocação de recursos do que corte generalizado de custo. Na prática, isso significa revisar onde o crédito ao consumidor ainda faz sentido, usar dados de comportamento para aumentar a recorrência do cliente e ajustar a estrutura de custo sem abrir mão de competitividade de preço.

Foi esse tipo de estrutura que a Peers ajudou a construir em uma rede varejista do setor alimentar sob forte pressão por eficiência e expansão. Renegociações de contrato e iniciativas de trade marketing estavam espalhadas entre áreas diferentes, sem uma governança única acompanhando prazo, responsável e resultado financeiro de cada uma.

A solução foi estruturar um PMO executivo para colocar ordem nessa execução, o que permitiu à rede capturar valor de forma constante, em vez de depender de cortes pontuais que se perdem ao longo do ano. É o mesmo princípio que vale para o varejo que hoje disputa espaço com as bets: organizar a execução primeiro, cortar custo depois, e não o contrário. Veja como isso funcionou na prática em PMO estruturado para captura de valor e expansão de margem no varejo alimentar.

Conclusão

O varejo enfrenta hoje uma disputa por orçamento que não existia há poucos anos, vinda de um setor que não faz parte do comércio tradicional. Enquanto o mercado seguir tratando 2026 apenas como um ano de juro alto, decisões de pricing e retenção vão continuar mirando a causa errada. Os dados já mostram que a pressão sobre o consumo tem origens distintas, e ele abre espaço para decisões mais precisas de pricing e retenção daqui pra frente.

Perguntas Frequentes

Como a Peers pode ajudar?

A Peers ajuda redes varejistas a entender, com dado próprio, quanto da queda de vendas vem de fatores macroeconômicos e quanto vem de migração para bets, direcionando ações de retenção, pricing e eficiência de custo. Conheça nossas soluções.

Porque foi o único grande setor com saldo negativo de empregos no semestre, enquanto serviços, construção, indústria e agropecuária seguiram criando vagas, segundo o Caged.

Vestuário e acessórios, com 30,9 mil vagas fechadas, seguidos por calçados e supermercados.

Os dois se somam por mecânicas diferentes. O crédito caro pesa sobre bens duráveis parcelados, as bets drenam o orçamento de vestuário e supermercado.

A projeção é de saldo líquido próximo de zero, cenário de estabilização ainda distante de recuperação efetiva.