A transição se estende até 2033 e deve afetar diretamente caixa, créditos, contratos, sistemas e margem das empresas de saúde.. Para as empresas de saúde, o desafio passa pela capacidade de absorver essas alterações preservando liquidez e margem.
Em artigo publicado pela Saúde Digital News, Alex Osoegawa, Executive Director e Head de Saúde, e André Verdegay, Engagement Manager na Peers Consulting + Technology, analisam como o cronograma da reforma tributária deve afetar operadoras, hospitais e laboratórios nos próximos anos.
O avanço do novo sistema acontece de forma gradual. Em 2027, a Contribuição sobre Bens e Serviços, a CBS, passa a valer plenamente e substitui PIS e Cofins. O Imposto sobre Bens e Serviços, o IBS, avança em ritmo mais lento e ainda convive com ICMS e ISS.
Entre 2029 e 2032, ICMS e ISS são reduzidos gradualmente enquanto o IBS cresce na mesma proporção. Em 2033, os tributos antigos deixam definitivamente o sistema.
Na prática, a transição cria um período em que diferentes modelos de apuração precisam coexistir, ampliando a necessidade de revisar contratos, classificação fiscal e precificação.
O principal impacto imediato está no caixa. Com o split payment, a parcela de imposto é separada no momento do pagamento e direcionada ao Fisco antes de chegar ao caixa da empresa. Esse mecanismo reduz o intervalo entre o recebimento do serviço e o recolhimento do tributo, que hoje ajuda a financiar parte do capital de giro.
Para organizações que já convivem com prazos longos de repasse, essa mudança pode pressionar a liquidez.
Para entender melhor esse impacto, a análise da Peers sobre split payment e os impactos no caixa e na tecnologia mostra como o novo modelo de recolhimento pode mudar o planejamento financeiro e os sistemas das empresas.
O impacto tende a variar conforme o perfil de cada operação. Clínicas, hospitais de menor porte, laboratórios e operadoras regionais com estruturas de custos mais concentradas em folha e sistemas de gestão menos maduros podem sentir com maior intensidade os efeitos do split payment.
Hospitais privados de maior porte e redes de laboratórios com escala nacional, por outro lado, podem ter maior disponibilidade de créditos tributários por utilizarem mais insumos tributados e contarem com estruturas fiscais mais preparadas para a transição.
Essa diferença reforça a importância de avaliar o impacto da reforma a partir da realidade financeira e operacional de cada organização.
A transição também pode gerar efeitos favoráveis para algumas operações.
Com a consolidação da não cumulatividade, empresas intensivas em insumos podem ampliar a possibilidade de aproveitamento de créditos tributários. Segundo a análise publicada pela Saúde Digital News, isso pode beneficiar organizações que hoje absorvem ICMS embutido em medicamentos e materiais sem conseguir compensá-lo integralmente.
Outro ponto relevante é a exclusão das glosas da base de cálculo do imposto. Para hospitais, isso evita a incidência tributária sobre uma parcela do faturamento que posteriormente não é reconhecida pelas operadoras.
A discussão se conecta ao desafio mais amplo das glosas e da sustentabilidade financeira na saúde suplementar, especialmente em um setor no qual fluxo financeiro e relação entre operadoras e prestadores já são temas centrais.
A mudança tributária chega em um momento de diferenças relevantes de desempenho entre os diferentes elos da cadeia.
Segundo a análise de Alex Osoegawa e André Verdegay, operadoras vêm registrando resultados financeiros superiores aos de hospitais e laboratórios, o que pode influenciar futuras discussões de reajuste e recontratualização.
Nesse contexto, a reforma passa a adicionar novas variáveis às negociações entre operadoras e prestadores, especialmente em relação a custos, margem e capital de giro.
Esse cenário também aparece na análise sobre o desempenho das empresas de saúde no 2T26, que mostra como eficiência operacional, custos e estrutura financeira já vêm diferenciando os resultados do setor.
A preparação exige acompanhar de forma integrada contratos, classificação fiscal, precificação, créditos, sistemas e planejamento de caixa ao longo da transição.
A convivência entre diferentes modelos de apuração aumenta a necessidade de revisar essas frentes à medida que o cronograma avança, enquanto o split payment reforça a importância de acompanhar seus efeitos sobre capital de giro e liquidez.
Para aprofundar os impactos da mudança sobre diferentes áreas do negócio, veja também as análises da Peers sobre Reforma Tributária.
Como a Peers pode ajudar empresas de saúde na preparação para a reforma tributária?
A Peers apoia organizações na avaliação dos impactos da reforma sobre caixa, margem, sistemas, contratos e operação, conectando as mudanças tributárias às decisões financeiras e estratégicas necessárias durante a transição. Conheça nossas soluções.
Quando a reforma tributária começa a gerar impactos mais relevantes para a saúde?
Segundo a análise publicada pela Saúde Digital News, 2027 marca uma etapa importante da transição, com a CBS em vigor de forma plena e o avanço do split payment. A mudança continua gradualmente até 2033.
Como o split payment pode afetar hospitais e operadoras?
O mecanismo separa o tributo no momento do pagamento, reduzindo o valor que permanece temporariamente disponível no caixa. Empresas com ciclos longos de recebimento podem sentir maior pressão sobre o capital de giro.
A reforma tributária pode reduzir custos para hospitais?
Alguns efeitos podem ser favoráveis, como o maior aproveitamento de créditos decorrente da não cumulatividade e a exclusão das glosas da base de cálculo. O impacto depende da estrutura de custos e do perfil de cada operação.
O que deve ser priorizado durante a transição?
Contratos, classificação fiscal, precificação, sistemas, gestão de créditos e planejamento de caixa estão entre os principais pontos de atenção destacados na análise.