Resultados do setor de saúde no 2T26: recuperação avança, mas cenário segue desigual

KEY TAKEAWAYS

  • O segundo trimestre de 2026 reforçou a recuperação do setor de saúde, mas com desempenhos ainda bastante diferentes entre as companhias.
  • Os melhores resultados vieram de operações que conseguiram combinar crescimento de receita com maior controle de custos e eficiência.
  • Lucro, margem, sinistralidade e geração de caixa seguem como indicadores centrais para acompanhar a evolução do setor.
  • Parte das empresas ainda enfrenta pressão financeira e operacional, o que mantém a recuperação em ritmos diferentes.
  • Eficiência, controle da sinistralidade e disciplina de custos continuam no centro das decisões para os próximos ciclos.

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Os resultados do segundo trimestre de 2026 mostram que a recuperação do setor de saúde continua, mas em ritmos diferentes entre as companhias. Rede D’Or e Fleury avançaram em indicadores de rentabilidade, enquanto Hapvida e Oncoclínicas ainda enfrentam pressões relevantes.

Em entrevista concedida ao Futuro da Saúde, Alex Osoegawa, Executive Director na Peers, analisa os resultados do segundo trimestre de 2026 e os desafios de eficiência do setor.

Quais empresas de saúde se destacaram no 2T26?

A Rede D’Or apresentou um dos principais resultados positivos do trimestre. A companhia registrou lucro líquido de R$ 1,3 bilhão, alta de 8,5% em relação ao mesmo período de 2025, além de receita líquida consolidada de R$ 14,9 bilhões. O EBITDA chegou a R$ 2,9 bilhões, avanço anual de 18,2%.

A SulAmérica, incorporada pela Rede D’Or em 2022, também apresentou evolução. A receita líquida alcançou R$ 8,7 bilhões e o EBITDA ajustado chegou a R$ 1,1 bilhão, crescimento de 53,2% na comparação anual. A sinistralidade consolidada caiu para 78,1%, redução de 3,2 pontos percentuais.

Entre as empresas de medicina diagnóstica, o Fleury registrou lucro líquido de R$ 221,8 milhões, crescimento de 45,7%, receita líquida de R$ 2,3 bilhões e EBITDA de R$ 612,9 milhões. A Dasa também reduziu seu prejuízo líquido em 92%, de R$ 454 milhões para R$ 35 milhões.

Por que eficiência se torna mais importante no setor de saúde?

O cenário evidencia a importância da relação entre crescimento de receita e evolução dos custos.

Alex Osoegawa destaca que as companhias em melhor posição apresentaram crescimento da receita superior ao dos custos. Na saúde suplementar, esse desafio ganha relevância diante de uma base de aproximadamente 53 milhões de beneficiários, que amplia a demanda e exige capacidade de operar com eficiência.

Nesse contexto, sinistralidade (relação entre os custos assistenciais e a receita da operadora), controle de custos e rentabilidade da carteira ganham peso nas decisões das empresas. A pressão sobre esses indicadores também ajuda a explicar por que glosas, custos e sustentabilidade na saúde suplementar seguem no centro das discussões sobre eficiência no setor.

Por que Hapvida e Oncoclínicas seguem pressionadas?

A Hapvida apresentou lucro líquido ajustado de R$ 12,5 milhões no segundo trimestre, queda de 95,8% em relação ao ano anterior. A sinistralidade caixa ficou em 75,2%, enquanto o EBITDA ajustado caiu 44% e chegou a R$ 504,4 milhões.

A companhia também vem analisando contratos deficitários e inadimplentes. Cerca de 947 mil beneficiários estavam vinculados a contratos avaliados sob a perspectiva de equilíbrio econômico, movimento associado à busca por uma carteira mais rentável.

Já a Oncoclínicas ampliou o prejuízo líquido para R$ 475,7 milhões e registrou crescimento de 15% da dívida na comparação anual. A companhia também iniciou um processo de recuperação extrajudicial envolvendo R$ 5,1 bilhões em dívidas financeiras.

Os resultados reforçam como estrutura de capital, eficiência operacional e capacidade de controlar custos continuam influenciando o desempenho das empresas.

Qual é o papel da sinistralidade nos resultados?

A sinistralidade mostra quanto da receita da operadora é consumida pelos custos assistenciais. Por isso, ela ajuda a entender a pressão sobre margem e rentabilidade.

Na SulAmérica, a queda da sinistralidade para 78,1% acompanhou a melhora dos resultados. Na Hapvida, o aumento do uso dos serviços médicos e das despesas com sinistros judiciais pressionou margem e EBITDA.

Esse movimento também é influenciado por fatores como inflação médica, juros elevados, mudanças regulatórias e judicialização da saúde, que amplia a pressão sobre custos e previsibilidade financeira das operadoras.

Como tecnologia pode apoiar a busca por eficiência?

Tecnologia aparece como uma das oportunidades para ampliar eficiência no setor nos próximos ciclos.

Novas tecnologias podem contribuir tanto para o ciclo de receita quanto para a otimização de processos e redução de custos. Esse movimento ganha relevância diante do crescimento do custo assistencial e do envelhecimento da população.

A inteligência artificial também aparece entre as possibilidades para o setor, especialmente em medicina diagnóstica, embora ainda seja cedo para projetar ganhos de margem decorrentes dessas aplicações.

O que esperar do setor de saúde nos próximos meses?

O cenário segue marcado por recuperação acompanhada de maior seletividade nos investimentos.

Empresas como Rede D’Or e Fleury aparecem com posição mais favorável para continuar crescendo, enquanto outras companhias ainda precisam avançar em reestruturação, equilíbrio financeiro e eficiência operacional.

A busca por eficiência tende a ganhar importância à medida que os custos assistenciais aumentam. Também cresce a necessidade de aproveitar melhor os ativos existentes e ampliar sua utilização.

Perguntas Frequentes

Como a Peers pode ajudar?

A Peers apoia organizações do setor de saúde na identificação de oportunidades de eficiência, revisão de processos, uso de dados e tecnologia e estruturação de iniciativas voltadas à geração de valor. Conheça nossas soluções.

A Rede D’Or registrou lucro líquido de R$ 1,3 bilhão, receita líquida consolidada de R$ 14,9 bilhões e EBITDA de R$ 2,9 bilhões, crescimento anual de 18,2%.

O Fleury apresentou lucro líquido de R$ 221,8 milhões, alta de 45,7% em relação ao segundo trimestre de 2025. A receita líquida alcançou R$ 2,3 bilhões e o EBITDA chegou a R$ 612,9 milhões.

O crescimento dos custos assistenciais, a sinistralidade e a necessidade de equilibrar receita e despesas aumentam a relevância da eficiência para a sustentabilidade financeira das empresas do setor.

Hapvida e Oncoclínicas aparecem entre os casos de maior pressão no trimestre, com desafios relacionados a sinistralidade, rentabilidade, dívida e reestruturação.

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Alex Osoegawa

Alex Osoegawa

Executive Director

Diretor Executivo na Peers Consulting + Technology | Especialista do setor de saúde

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