Os resultados do segundo trimestre de 2026 mostram que a recuperação do setor de saúde continua, mas em ritmos diferentes entre as companhias. Rede D’Or e Fleury avançaram em indicadores de rentabilidade, enquanto Hapvida e Oncoclínicas ainda enfrentam pressões relevantes.
Em entrevista concedida ao Futuro da Saúde, Alex Osoegawa, Executive Director na Peers, analisa os resultados do segundo trimestre de 2026 e os desafios de eficiência do setor.
A Rede D’Or apresentou um dos principais resultados positivos do trimestre. A companhia registrou lucro líquido de R$ 1,3 bilhão, alta de 8,5% em relação ao mesmo período de 2025, além de receita líquida consolidada de R$ 14,9 bilhões. O EBITDA chegou a R$ 2,9 bilhões, avanço anual de 18,2%.
A SulAmérica, incorporada pela Rede D’Or em 2022, também apresentou evolução. A receita líquida alcançou R$ 8,7 bilhões e o EBITDA ajustado chegou a R$ 1,1 bilhão, crescimento de 53,2% na comparação anual. A sinistralidade consolidada caiu para 78,1%, redução de 3,2 pontos percentuais.
Entre as empresas de medicina diagnóstica, o Fleury registrou lucro líquido de R$ 221,8 milhões, crescimento de 45,7%, receita líquida de R$ 2,3 bilhões e EBITDA de R$ 612,9 milhões. A Dasa também reduziu seu prejuízo líquido em 92%, de R$ 454 milhões para R$ 35 milhões.
O cenário evidencia a importância da relação entre crescimento de receita e evolução dos custos.
Alex Osoegawa destaca que as companhias em melhor posição apresentaram crescimento da receita superior ao dos custos. Na saúde suplementar, esse desafio ganha relevância diante de uma base de aproximadamente 53 milhões de beneficiários, que amplia a demanda e exige capacidade de operar com eficiência.
Nesse contexto, sinistralidade (relação entre os custos assistenciais e a receita da operadora), controle de custos e rentabilidade da carteira ganham peso nas decisões das empresas. A pressão sobre esses indicadores também ajuda a explicar por que glosas, custos e sustentabilidade na saúde suplementar seguem no centro das discussões sobre eficiência no setor.
A Hapvida apresentou lucro líquido ajustado de R$ 12,5 milhões no segundo trimestre, queda de 95,8% em relação ao ano anterior. A sinistralidade caixa ficou em 75,2%, enquanto o EBITDA ajustado caiu 44% e chegou a R$ 504,4 milhões.
A companhia também vem analisando contratos deficitários e inadimplentes. Cerca de 947 mil beneficiários estavam vinculados a contratos avaliados sob a perspectiva de equilíbrio econômico, movimento associado à busca por uma carteira mais rentável.
Já a Oncoclínicas ampliou o prejuízo líquido para R$ 475,7 milhões e registrou crescimento de 15% da dívida na comparação anual. A companhia também iniciou um processo de recuperação extrajudicial envolvendo R$ 5,1 bilhões em dívidas financeiras.
Os resultados reforçam como estrutura de capital, eficiência operacional e capacidade de controlar custos continuam influenciando o desempenho das empresas.
A sinistralidade mostra quanto da receita da operadora é consumida pelos custos assistenciais. Por isso, ela ajuda a entender a pressão sobre margem e rentabilidade.
Na SulAmérica, a queda da sinistralidade para 78,1% acompanhou a melhora dos resultados. Na Hapvida, o aumento do uso dos serviços médicos e das despesas com sinistros judiciais pressionou margem e EBITDA.
Esse movimento também é influenciado por fatores como inflação médica, juros elevados, mudanças regulatórias e judicialização da saúde, que amplia a pressão sobre custos e previsibilidade financeira das operadoras.
Tecnologia aparece como uma das oportunidades para ampliar eficiência no setor nos próximos ciclos.
Novas tecnologias podem contribuir tanto para o ciclo de receita quanto para a otimização de processos e redução de custos. Esse movimento ganha relevância diante do crescimento do custo assistencial e do envelhecimento da população.
A inteligência artificial também aparece entre as possibilidades para o setor, especialmente em medicina diagnóstica, embora ainda seja cedo para projetar ganhos de margem decorrentes dessas aplicações.
O cenário segue marcado por recuperação acompanhada de maior seletividade nos investimentos.
Empresas como Rede D’Or e Fleury aparecem com posição mais favorável para continuar crescendo, enquanto outras companhias ainda precisam avançar em reestruturação, equilíbrio financeiro e eficiência operacional.
A busca por eficiência tende a ganhar importância à medida que os custos assistenciais aumentam. Também cresce a necessidade de aproveitar melhor os ativos existentes e ampliar sua utilização.
Como a Peers pode ajudar?
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Como foi o resultado da Rede D’Or no segundo trimestre de 2026?
A Rede D’Or registrou lucro líquido de R$ 1,3 bilhão, receita líquida consolidada de R$ 14,9 bilhões e EBITDA de R$ 2,9 bilhões, crescimento anual de 18,2%.
Como foi o resultado do Fleury no 2T26?
O Fleury apresentou lucro líquido de R$ 221,8 milhões, alta de 45,7% em relação ao segundo trimestre de 2025. A receita líquida alcançou R$ 2,3 bilhões e o EBITDA chegou a R$ 612,9 milhões.
Por que a eficiência é importante para as empresas de saúde?
O crescimento dos custos assistenciais, a sinistralidade e a necessidade de equilibrar receita e despesas aumentam a relevância da eficiência para a sustentabilidade financeira das empresas do setor.
Quais empresas seguem mais pressionadas?
Hapvida e Oncoclínicas aparecem entre os casos de maior pressão no trimestre, com desafios relacionados a sinistralidade, rentabilidade, dívida e reestruturação.